formiga tateante
— o valor absoluto dos objetos
depende, e, ao depender, não vale
nada. —,
pensava uma formiga ensimesmada,
vasculhando no mato alguns dejetos.
a formiga notou que, nos afetos
pelas coisas, a gente — que piada! —
parece mesmo achar que eternizadas
serão as nossas coisas e projetos.
notou também, o inseto, que eu notava
seu solilóquio anônimo pensante,
então falou mais alto, um tanto
brava:
— até uma formiga tateante
conhece o que ao humano humanizava,
que é pensar no absoluto a cada
instante. —.
marcos satoru kawanami









