| Cândido Portinari - chorinho - 1942 |
AOS ANJOS
Quem me dera escrever desta maneira
e todos entendendo o que ora escrevo,
acima das fronteiras, do relevo
linguístico que impõe tosca barreira.
Porém é tão canora a brasileira
linguagem portuguesa, que me atrevo
a procurar mover tamanho enlevo
que ler em português o mundo queira.
E, quando céus e terra enfim
passarem,
pereça com o mundo o que é tristeza
de modo a nem de leve a recordarem.
Pereçam a feiura e a beleza,
só reste a perfeição, mas, ao
cantarem,
cantem, anjos, em língua portuguesa!
Marcos Satoru Kawanami







