A INAUDITA DO
CONSERVATÓRIO
Nos fundos do
conservatório, habita
clarinetista muda e
mutuária,
que teima nessa vida
proletária,
e teima em
prosseguir inda inaudita.
Cantar não deixa nem a periquita,
por quem se cantariam quantas árias
quisesse, se ela fora
perdulária
em termos de dar
malho para brita.
Mas passa linda e
loira, casta... e casta,
sem nunca reparar na
silhueta,
usando sempre a
mesma roupa gasta.
Também não reparando
na etiqueta,
eu acho que ela pode
dar um basta
na surdina que impõe
à clarineta!
Nhandeara, 28 de
novembro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami









