MUSA FEIA
O que te escreverei?,
oh, musa feia,
se nada me afeiçoo a
ser Balzac,
se há musas mais
jeitosas no Projac
que vejo na TV, de
estrelas cheia.
Ainda que em jornais
eu pegue e leia
notícias pelas quais
tomam Prozac
ou também se
embebedam com cognac,
somente a musa bela
é quem me enleia.
Porquanto não vou eu
fazer justiça
consertando este
mundo em desconserto,
musa balzaquiana não
me atiça.
É de Cupido a pena
por que verto
a tinta que de
ingênua nunca enguiça,
mas sei que, na
razão, me falta acerto.
Nhandeara, 25 de
outubro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami
ORDINÁRIO
Não devo duvidar do
bem eterno,
todavia, o ignoro
com frequência
a fim de não viver
em reticência,
contemplativamente
em mundo interno.
É triste quando
esqueço o tom fraterno,
partindo para a
gana, a eloquência
sanguínea da profana
permanência
no estado de
desgraça, agudo inverno.
A minha salvação não
vem de mim,
estou neste
dramático cenário
porque, a cada ação,
cumpro meu fim.
De modo que ser bom
não é fadário
humano, pois só Deus
é bom, e assim
exerço meu papel
sendo ordinário.
Nhandeara, 27 de
outubro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami









