terça-feira, 7 de abril de 2015

a infinita dor por nada

O ser humano pode, pela força do intelecto,
superar a condição primitiva apresentada
por Arthur Schopenhauer nesta obra.

A INFINITA DOR POR NADA

Mas como explicarei a ter deixado?,
se nunca mais encontro a minha amada,
tão cedo deste mundo desterrada,
por quem, vivendo aqui, sou desterrado.

Fui réu, e meu juiz era togado
na lei mais de viés enviesada
da pena da infinita dor por nada,
a lei de alguém querer ser condenado.

Eu era bem menino, feito Dante
naquele seu amor por Beatrice,
volvi à minha pátria, tão distante...

Foi súbita a partida, e nada disse
a ela, na prisão de ser infante;
depois..., ela partiu, sem que eu a visse.



Nhandeara, 7 de abril de 2015
Marcos Satoru Kawanami




OBSERVAÇÃO: Neste soneto, imaginei um eu-lírico adepto de Arthur Schopenhauer, que afirmava que "O amor é ilusão a favor da espécie.". Eu, pessoalmente, acho que a afirmação de Schopenhauer é correta em um primeiro momento, mas a razão pode superá-la a fim de um amor mais elevado e mais completamente humano.

domingo, 5 de abril de 2015

A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam.


1 No princípio existia o Verbo;
o Verbo estava em Deus;
e o Verbo era Deus.
2 No princípio Ele estava em Deus.
3 Por Ele é que tudo começou a existir;
e sem Ele nada veio à existência.
4 Nele é que estava a Vida
de tudo o que veio a existir.
E a Vida era a Luz dos homens.
5 A Luz brilhou nas trevas,
mas as trevas não a receberam.
6 Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. 7 Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. 8 Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz.
9 O Verbo era a Luz verdadeira,
que, ao vir ao mundo,
a todo o homem ilumina.
10 Ele estava no mundo
e por Ele o mundo veio à existência,
mas o mundo não o reconheceu.
11 Veio para o que era seu,
e os seus não o receberam.
12 Mas, a quantos o receberam,
aos que nele creem,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
13 Estes não nasceram de laços de sangue,
nem de um impulso da carne,
nem da vontade de um homem,
mas sim de Deus.


(Evangelho segundo São João 1, 1-13)

sexta-feira, 6 de março de 2015

PAPEL HIGIÊNICO



PAPEL HIGIÊNICO

Invenção mais mimosa é o papel
higiênico, que limpa nossa peida
devido àquela justa e linda lei da
bosta, que é do juiz e que é do réu.

Seu inventor merece é um troféu,
um arco do triunfo pela Eneida
de engenho e arte que nos deixa a peida
garbosa, altiva, feito a Torre Eiffel.

E aquele que jamais cagou dispense
o papel, a descarga, a porta, o vaso
sanitário, e, depois, morra enfezado.

Mas, lendo este poema agora, pense
em que papel, achado por acaso,
foi ele escrito, e em peido sublimado.


Nhandeara, 6 de março de 2015
Marcos Satoru Kawanami





"O sabugo tem três qualidades: limpa, coça, e penteia."
(O Analista de Bagé)

"Pacu, baiacu, curimbatá, tucunaré, pirarucu; ô gente pra gostar de peixe!"
(Matheus Ceará)

UEFA COROTE LEAGUE - fábula do futebol

Um dos comentários: "Durante o período em que Júlio Cocielo & Amigos estiveram em quadra, Osasco teve redução de 100% nas taxas de criminalidade e nunca esteve tão segura pra se andar pelas ruas.".


FÁBULA DO FUTEBOL

A bola vai rolar em campo aberto
sem linhas demarcando esta partida
de futebol sem árbitro e torcida,
mas eu, só de bobeira, estou por perto.

E vejo que rolou a bola, certo
da alegre apoteose sem medida
que o gol ensejará em minha vida,
mantendo a vista atenta, fico esperto.

Jogadas de espetáculo circense
empolgam-me no início, estou contente,
com ânimo de time que só vence.

Depois, eu torço feito um penitente,
mas que jogada heroica há que compense
um campo de traçado e gols ausentes?



Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 5 de março de 2015

Irmã Dulce - soneto: caravana



CARAVANA

Eu sei que não saber não dá ciência,
a mim, do que não sei, sabendo ou não,
de tudo que, com lógica e razão,
conheço e sei que sei, por evidência.

Conduz-me tosca mão, rapaz prudência,
contudo, se é o saber a devoção
à qual, estulto, entrego o coração
no torpe turbilhão das aparências...

Pondero que não há que mais saber,
nem houve nunca, desde aquele pomo,
que vem se deglutindo sem querer.

A bem desses milênios, quê hoje somos
além de caravana a percorrer
o espaço numa busca do que fomos?



Marcos Satoru Kawanami

domingo, 1 de março de 2015

a lenda do peru - o peru da festa: Costinha


A LENDA DO PERU
ao Milton Coelho da Graça, que me enviou a lenda em prosa por e-mail há alguns anos

Contemplativo acerca da beleza
que lhe era própria, um dia, o Pavão
pensou: “Por que não alço os pés do chão,
e conquisto a cerúlea realeza?”.

Por ser ele incapaz de tal proeza,
lastimou do Destino a ingratidão
que ao Urubu, mais feio que um Dragão,
permitia voar por natureza.

Eis que então, num lampejo inteligente,
propôs ao Urubu, que voava à toa,
unir em matrimônio conveniente

seus filhos. Foi assim que da Pavoa
veio ao mundo o Peru, hibridamente;
que é feio pra dedéu… e ainda não voa!

Marcos Satoru Kawanami


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

filme: Costinha, o libertino - soneto: falatório


FALATÓRIO

Falam que o que falo é pornografia,
pois falo falo falo falo falo,
e, em síntese, o que falo vai pro ralo,
parece até que sou mitologia...

Mas, se falo o que falo, quem diria
fi-lo, em meu lugar, não diria, e fá-lo
pois falo falo falo falo falo,
mas nunca fi-lo além da portaria!

Não disse putaria, que é abuso
de puto sem noção que sabe picas
das normas de boceta e seu bom uso.

Contudo, se ao caralho tu me indicas,
segura furibunda o meu obtuso
soneto, que é de bunda mais pudica!



Nhandeara, 25 de fevereiro de 2015
Marcos Satoru Kawanami




"Lavar latrinas por gosto é lazer; assistir a sessões de pornografia por obrigação é trabalho." (Glauco Mattoso)


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

20 anos de falecimento de Costinha - filme: Entrei de gaiato

https://www.youtube.com/watch?v=m5AO6EjqJhs
Costinha no filme Entrei de gaiato
LINK


Neste ano de 2015, lembramos os 20 anos de falecimento de Costinha (*25 de março de 1923 +15 de setembro de 1995).

Acabo de assistir agora a um dos filmes em que ele atua, o filme Entrei de gaiato, no qual ele interpreta um carregador de hotel.

O filme é interessante pela estória em si, mas também por seu elenco:

Zé Trindade
Francisco Anísio, o Chico Anysio, como ator e sendo também um dos redatores
Manuel de Nóbrega
Dercy Gonçalves, aos 52 anos mas com rosto de moleca
Moacyr Franco, cantando Me dá um dinheiro aí
Sylvio Caldas, cantando também
Elizeth Cardoso, cantando também
Grande Othelo
Procópio Filho
Dircinha Batista, cantando
Bando da Lua
e, entre vários artistas da época, Lírio Mário da Costa, o Costinha.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Matéria de Deus

Conheça antes de negar.

MATÉRIA DE DEUS

        O automóvel é criação humana. O automóvel não poderia criar-se a si mesmo a partir de sua não existência. O pensamento humano é detectado no automóvel, e o pensamento não é uma substância. A carne humana não está no automóvel, mas pode entrar no automóvel quando quer.
        O papel é criação humana. O papel não poderia criar-se a si mesmo a partir de sua não existência. O pensamento humano é detectado no papel, e o pensamento não é uma substância. A carne humana não está no papel, mas a escrita humana registra o que vem do humano no papel.
        O Universo é criação de Deus. O Universo não poderia criar-se a si mesmo a partir de sua não existência. O pensamento divino é detectado no Universo, e o pensamento não é uma substância. A matéria de Deus não está no Universo, mas pode entrar no Universo quando quer. E a consciência humana registra o que vem de Deus no Universo.

Nhandeara, 15 de janeiro de 2015
Marcos Satoru Kawanami


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Teologia da Computação


TEOLOGIA DA COMPUTAÇÃO

         O vivente sem um braço mantém a consciência de si, o braço não contém a sua essência. O vivente sem os olhos mantém a mesma consciência, os olhos não contêm a sua essência. O vivente que perde parte do cérebro, e volta a si, não tem sua essência em todo o cérebro, mas em alguma parte do que lhe sobrou do cérebro.
         Daí, se isolássemos a parte do cérebro que detém a consciência de si do cidadão, e a mantivéssemos em condições vitais, estaríamos preservando a essência de um ser humano e o mantendo realmente vivo? Então haveria de ser um pedaço de massa encefálica o ser humano em si, a sua essência?
         Talvez, esta parte de cérebro seja um magnífico hardware onde atue o software que tenho por costume denominar alma.
E, caso este software não saia do hardware após a pane geral e cabal, será possível que uma espécie de antena transmita, em tempo real on-line, atualizações do vivente para um back-up superior? (Nhandeara, 29 de junho de 2012)
         A gente não é fisicamente e quimicamente o mesmo que era na infância, ou mesmo há alguns dias atrás; os elementos de nosso corpo mudam e se renovam com o passar do tempo; mesmo o cérebro, que se mantém mais estável, muda e se renova com o tempo, conexões são feitas e desfeitas a cada instante entre os neurônios, e os elementos químicos entram e saem de lá.
         De maneira que o hardware cerebral altera-se com o tempo, enquanto que o software alma mantém-se o mesmo; por isso mantemos a unidade da consciência de nós mesmos durante a vida, somos a mesma alma do começo ao fim da vida. (Nhandeara, 4 de julho de 2012)

— BACK-UP DA ALMA:
         A memória do vivente é fixada no hardware cérebro, determinados danos ao cérebro levam a perdas de memória irreversíveis, de modo que a alma em si não tem memória alguma; daí a necessidade de um back-up da memória cerebral ser transmitido em tempo-real on-line para um HD além do vivente, se for haver vida após a morte, seja ela espiritual ou em reencarnação do corpo com restauro da memória pregressa.
         Quanto ao fato de o software alma estar presente para o funcionamento do hardware cérebro, parece correto afirmar que sim, pois, do contrário, o vivente não teria noção de si mesmo, não haveria consciência, e o cérebro funcionaria sim, mas como matéria viva sem uma visão externa de si mesma, como uma fileira de dominós que seguem derrubando-se uns aos outros sem transgredir a lei da causa e efeito: sem um dedo externo ao sistema que cesse a queda em sequência, por exemplo.
         Portando, penso que a alma é necessária para o funcionamento cerebral, mas não possui memória em si mesma, senão em um back-up alheio à alma para restauro da mesma em um corpo ressuscitado no qual confluam a mesma alma e memória, memória esta a ser copiada do back-up da memória da primeira vida.
         Ou também podemos ser imagem e semelhança de Deus sendo essencialmente a consciência que dá sentimentos e noção contemplativa do mundo e de si ao vivente.
Nhandeara, 27 de julho de 2012

— DUALIDADE SOFTWARE-HARDWARE DA ALMA
         Conforme já exposto, a alma tem papel de software sobre o hardware cérebro. Contudo, no feto, ocorre a dualidade da alma, em que a alma exerce função tanto de software quanto de hardware: A alma é hardware ao atuar sobre o software DNA, fazendo com que as informações do DNA resultem em ações materiais na formação do cérebro; e a alma é software já atuando no cérebro do feto. Disto, pode-se supor que a cada célula que nasce em qualquer parte do corpo há atuação da alma enquanto hardware, e mesmo a reprodução de seres unicelulares são orquestradas por alguma forma de hardware que lê o software DNA.
Nhandeara, 15 de setembro de 2012

Marcos Satoru Kawanami