sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Teologia da Computação


TEOLOGIA DA COMPUTAÇÃO

         O vivente sem um braço mantém a consciência de si, o braço não contém a sua essência. O vivente sem os olhos mantém a mesma consciência, os olhos não contêm a sua essência. O vivente que perde parte do cérebro, e volta a si, não tem sua essência em todo o cérebro, mas em alguma parte do que lhe sobrou do cérebro.
         Daí, se isolássemos a parte do cérebro que detém a consciência de si do cidadão, e a mantivéssemos em condições vitais, estaríamos preservando a essência de um ser humano e o mantendo realmente vivo? Então haveria de ser um pedaço de massa encefálica o ser humano em si, a sua essência?
         Talvez, esta parte de cérebro seja um magnífico hardware onde atue o software que tenho por costume denominar alma.
E, caso este software não saia do hardware após a pane geral e cabal, será possível que uma espécie de antena transmita, em tempo real on-line, atualizações do vivente para um back-up superior? (Nhandeara, 29 de junho de 2012)
         A gente não é fisicamente e quimicamente o mesmo que era na infância, ou mesmo há alguns dias atrás; os elementos de nosso corpo mudam e se renovam com o passar do tempo; mesmo o cérebro, que se mantém mais estável, muda e se renova com o tempo, conexões são feitas e desfeitas a cada instante entre os neurônios, e os elementos químicos entram e saem de lá.
         De maneira que o hardware cerebral altera-se com o tempo, enquanto que o software alma mantém-se o mesmo; por isso mantemos a unidade da consciência de nós mesmos durante a vida, somos a mesma alma do começo ao fim da vida. (Nhandeara, 4 de julho de 2012)

— BACK-UP DA ALMA:
         A memória do vivente é fixada no hardware cérebro, determinados danos ao cérebro levam a perdas de memória irreversíveis, de modo que a alma em si não tem memória alguma; daí a necessidade de um back-up da memória cerebral ser transmitido em tempo-real on-line para um HD além do vivente, se for haver vida após a morte, seja ela espiritual ou em reencarnação do corpo com restauro da memória pregressa.
         Quanto ao fato de o software alma estar presente para o funcionamento do hardware cérebro, parece correto afirmar que sim, pois, do contrário, o vivente não teria noção de si mesmo, não haveria consciência, e o cérebro funcionaria sim, mas como matéria viva sem uma visão externa de si mesma, como uma fileira de dominós que seguem derrubando-se uns aos outros sem transgredir a lei da causa e efeito: sem um dedo externo ao sistema que cesse a queda em sequência, por exemplo.
         Portando, penso que a alma é necessária para o funcionamento cerebral, mas não possui memória em si mesma, senão em um back-up alheio à alma para restauro da mesma em um corpo ressuscitado no qual confluam a mesma alma e memória, memória esta a ser copiada do back-up da memória da primeira vida.
         Ou também podemos ser imagem e semelhança de Deus sendo essencialmente a consciência que dá sentimentos e noção contemplativa do mundo e de si ao vivente.
Nhandeara, 27 de julho de 2012

— DUALIDADE SOFTWARE-HARDWARE DA ALMA
         Conforme já exposto, a alma tem papel de software sobre o hardware cérebro. Contudo, no feto, ocorre a dualidade da alma, em que a alma exerce função tanto de software quanto de hardware: A alma é hardware ao atuar sobre o software DNA, fazendo com que as informações do DNA resultem em ações materiais na formação do cérebro; e a alma é software já atuando no cérebro do feto. Disto, pode-se supor que a cada célula que nasce em qualquer parte do corpo há atuação da alma enquanto hardware, e mesmo a reprodução de seres unicelulares são orquestradas por alguma forma de hardware que lê o software DNA.
Nhandeara, 15 de setembro de 2012

Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Alma e Moral - No princípio, era o Verbo...


ALMA E MORAL

        Ao se observar a matéria, notamos facilmente que esta é animada, movendo-se macro e microscopicamente amiúde. Donde vem a questão do que animaria a matéria, o que seria e como seria a sua alma. Um aparato que exemplifica o ânimo da matéria pode ser o da fileira de dominós derrubando uns aos outros em seqüência: A matéria é animada pela lei de causa e efeito.
        A consciência e vontade própria, que são capazes de transgredir a lei de causa e efeito da matéria bruta, desassociam a alma do vivente da matéria. Senão agiríamos sem saber, sem autocrítica, agiríamos como uma reação química ou uma pedra caindo sem dar conta do que estaríamos fazendo, à semelhança de um protozoário. Poderíamos parecer ter consciência a quem nos visse, mas nós mesmo não sentiríamos tal consciência, não sentiríamos nada, nem os 5 sentidos sentiríamos, apesar de que estaríamos parecendo senti-los.
        Quando surgem a piedade, a condolência, o Amor enfim, a alma desassociada da matéria é Sentimento, é a Boa-Vontade, é o Verbo: imagem e semelhança de Deus.
        A ética racionaliza causa e efeito de modo a regrar comportamentos em proveito do conjunto e do indivíduo, sem altruísmo, sem santificação, sem sentimento. Reduz o vivente a matéria bruta, ou, quando muito, a uma fera domada.
        Já a moral considera a alma dissociada da matéria, percebe a sutileza que passa batida aos olhares brutos, reconhece que o vivente não é um efeito dominó sem consciência. É a moral, e não a ética, que leva Cristo a se entregar exangue na cruz, é a moral que faz os mártires de todos os tempos e civilizações. É da moral que o Diabo tem medo, porque a moral não se submete à matéria, ao poder econômico e ao poder político. É a moral que contraria os preceitos dos escribas e fariseus. É a moral que não se corrompe por dinheiro nem retrocede por medo da morte e da dor.

Nhandeara, 8 de abril de 2012
Marcos Satoru Kawanami




No princípio, era o Verbo...

        O ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e vontades fisiológicas cerebrais, a Origem é uma Vontade sem ato precedente (vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
        Do contrário, o funcionamento cerebral seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente descartado do Mundo Material. E, mesmo que o Universo fosse um moto-perpétuo, teria entrado em andamento sem uma causa, sem algo precedente ao Universo que o colocasse em andamento? Teria, então, a matéria, e seu movimento também, se auto criado do nada?
        “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São João.

Nhandeara, 27 de novembro de 2010
Marcos Satoru Kawanami



Neste ano de 2012, o Jornal Nacional anunciou a criação de um tipo de DNA sintético com estrutura diferente do natural, levantando novamente a possibilidade de seres vivos alheios ao nosso planeta, o que reforça a tese de que a vontade é absoluta, e as manifestações de uma mesma vontade são convencionais. (25 de abril de 2012)

domingo, 7 de dezembro de 2014

partido alto - isso, ninguém viu...



ISSO, NINGUÉM VIU...

Fritaram o pastel em óleo frio;
isso, ninguém viu...
Jogaram o pastel em óleo frio,
só fui eu quem viu!

Quem não é de reclamar,
ao comer aquela massa,
só queria se agachar;
e, quem viu, achava graça.

Eu fiquei no fim da fila;
ao chegar a minha vez,
teve até quem, pela axila,
da bagagem se desfez.

Evitei constrangimento:
recusar, não recusei;
eu guardei o provimento,
mas, depois, o desguardei.

Corajoso foi o Empada,
trombonista de primeira,
levou tudo para a amada,
que passou por corneteira.

Quem tem pressa, come cru;
com o Empada, foi assim;
se, na pressa, foste tu,
este mundo não tem fim.


Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Teresa Cristina e Grupo Semente: O Meu Guri - soneto: mamada - Edmundo, o animal.


MAMADA

Então..., batuque assim: cadência tipo
o nada fez-se tudo em um segundo,
cadência que resume o caos do mundo
em mapa gatoforme ao que lhe ripo!

Um gato no telhado, e eu lhe engripo
o couro: tamborim de vagabundo;
maldade!, ô dó!, e quem diz é o Edmundo...,
rapaz, um animal!; oh, me constipo.

Porém já garanti a batucada,
e o gato, na verdade, é PVC:
Poli-Vinil-of-Cat, só fiz zoada.

Desfaço uma amizade, e não você,
piada por quem dou a rima amada,
você que lê mamada quando lê!

Marcos Satoru Kawanami



obs.: Mamada ou mamado significa estado de embriaguez: Ela está mamada, ele está mamado. = Ela está bêbada, ele está bêbado.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

luzes da ribalta - poesia ultrarromântica - Charles Chaplin - Limelight


LUZES DA RIBALTA

O amor só pode ser se for oculto,
senão é ter, quem ama, aquele zelo
de o ente amado, após reconhecê-lo,
corresponder-lhe o culto com seu culto.

A carne poderá causar tumulto,
querendo ter razão e convencê-lo
do facto que a razão produz cabelo
no amor que, cabeludo, sobe em vulto.

Assim, o amor divino estranhamente
conduz-nos desde a pia batismal,
e, entanto, não parece estar presente.

Pois quer o amor divino um ideal,
sentir na intensidade equivalente
a mais completa peça teatral.



Nhandeara, 26 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

movimento fragmentado e universos paralelos


MOVIMENTO FRAGMENTADO E UNIVERSOS PARALELOS

O tempo, uma abstração, está na moda
ser tido como intrínseco à matéria,
e o ledo engano vira coisa séria
na tosca prática que o mundo roda.

O tempo não existe, o que se açoda
é massa contra massa na pilhéria
da massa estar mais chã ou mais etérea
na relatividade que as engoda.

Mas, bem dentro de um átomo qualquer,
espia tu que podes mais do que eu
que só faço espiar mesmo é mulher.

A coisa sempre assim se sucedeu,
em vibrações como um relógio quer,
havendo paralelos a esse teu.



Nhandeara, 19 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami




P.S.: Segundo o trabalho que fiz, intitulado "O movimento", que está neste blogue, o movimento de qualquer coisa não é fluido, mas dá-se como uma engrenagem de relógio, em intervalos mínimos de espaço e de tempo em que a matéria se transforma em energia pura até tornar a ser massa estática e transformar-se novamente em energia em movimento. Disso, pode ocorrer que, conforme a vibração dessa engrenagem na qual estejamos, habitamos um Universo, coabitado por universos paralelos em outras frequências. Ou seja, dois corpos podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.


quaresma


QUARESMA

Cortei os pulsos, não queria a morte,
queria só saber como é que era
a morte, sem morrer, numa atmosfera
à parte até cicatrizar-se o corte.

Assim aconteceu, pois tenho sorte;
caí de supetão numa cratera,
matei, por ser cristão, a Besta fera,
e, agora, só em Cristo tenho um norte.

Escrevi, não queria ser poeta,
queria só saber se dava certo,
já que Camões também fora um atleta.

Atleta eu era, amava o campo aberto,
e vocação não tinha para esteta,
mas flores plantou Cristo em meu deserto.



Nhandeara, 19 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami



Note Bem: Nunca cortei os pulsos. Quase tudo o que escrevo é ficção, mas na blogosfera cabe esse tipo de explicação, porque é um ambiente em que se costuma ser autobiográfico.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o pica das galáxias - gíria de humor que merece registro - petrobras: operação lava jato da polícia federal

Frase do ator Milhem Cortaz no filme Tropa de Elite.

O PICA DAS GALÁXIAS - gíria de humor que merece registro

No plano de poder, traçam rosáceas
bandidos do PT, estranhamente
devotos de um ateu que, impunemente,
está se achando O Pica Das Galáxias!

O Lula, mais vermelho que uma hemácia,
rubor é que não tem, nem ama a gente
de quem se gaba ser proveniente,
mas álcool, gosta até do da farmácia...

Seu filho está mais rico que o califa
Maluf, seu companheiro proletário(?)
— na cara é que nos dão mais essa bifa!

E, enquanto o povo se faz sócio otário,
a Petrobrás é prenda numa rifa,
e o voto compra-se de modo vário.



Nhandeara, 14 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami



Pablo Picasso
O Pica Das Galáxias



“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
(Ruy Barbosa)


PORTANTO - para Ruy Barbosa

De tanto ver vencer a nulidade
sobre o real esforço e competência;
de tanto vicejar a pestilência
num estéril jardim de humanidade;

quando mais nada vale a probidade,
e a malícia suplanta a inocência;
de tanto padecer a dura ausência
da crença no poder da honestidade;

verificando, já sem esperança,
que a única certeza é a morte rude,
e que zombam da sua confiança;

de tanto ver a ignóbil atitude,
louvada, prosperar com abastança:
o homem vai se afastando da virtude.

Marcos Satoru Kawanami


Essa aí está se achando Pica das Galáxias.

PARA QUEM?

Se cresce a Economia, o vulgo pensa
que tem mais moradia e mais emprego,
que pode ter mais filhos com sossego,
tendo escola e saúde em recompensa.

Mas vive o povo sempre numa prensa,
e a cada geração parece cego,
barganha o voto em troca dum emprego
que gera mais emprego, voto e a crença

dum econômico crescer do bem,
na constante esperança dum porvir
com mais casa, saúde, escola..., amém.

Contudo, não se diz que é regredir
a Vida do planeta que se tem,
crescendo a Economia, e para quem?

Marcos Satoru Kawanami



Acha que é Pica das Galáxias...

PARAR A DESMONTAGEM

Um oco terapêutico é aberto
no glóbulo ocular pernicioso
em ver no mundo só o que é formoso
igual às tais miragens de deserto.

E, sob a nova óptica desperto,
perambula um sujeito desairoso
por ver o humano afã, que desastroso
milagre torto opera, achando certo.

Desmonta-se o planeta lindamente
criado tão perfeito que bastava
contemplá-lo ao usarmos nossa mente.

Se o oco nos seus olhos não cegava
aquele que assim viu mui cegamente,
um oco bem maior cá nos agrava.

Marcos Satoru Kawanami



"Mas eu é que sou a Pica das Galáxias!"

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

bolhas de sabão

Os astronautas do passado.

BOLHAS DE SABÃO

Muito legal tem sido a faina antiga
de fazer bolhas de sabão no Paço
Imperial com cetros que do espaço
extraterrestre trouxe a rapariga

lisboeta, escondidos na barriga(?),
quando a Escola de Sagres fez um traço
intergalático, e deu um abraço
no índio espacial que, gente amiga,

indicou o caminho do Brasil,
nação de onde eu escrevo agora, alheio
àquele peito ilustre e varonil

da rapariga lisboeta, esteio
do que de melhor o homem produziu:
as bolhas de sabão e seu recheio.




Nhandeara, 10 de novembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

PURGANTE



PURGANTE

Cagar é nossa norma, cague bem
e sem vergonha, cague todo dia;
cagar é coisa mais do que sadia,
cague cá, cague lá, e cague além.

Cagada, quem já fez aprova, e tem
apreço na cagada à revelia;
se aquele que não caga a repudia,
está só no despeito seu desdém.

Contudo, a ser cagão não seja afeito,
nem queira ser seu cu intrometido
em demandar, em ir pro pau em pleito.

E creia que a cagada mor tem sido
o não cagar conforme é de direito,
e assim morrer de fezes entupido!



Nhandeara, 25 de setembro de 2014
Marcos Satoru Kawanami