CIDADE ALERTA 2: GAROTA VIOLADA EM
PLENO PALCO
Agora, eu vou contar uma historinha para
o telespectador. Mas antes, olha, meu povo, do jeito que a coisa está, está
desse jeito. A mãe de família sai de casa para o mercado, e não sabe se vai
voltar para fazer o almoço. O pai de família trabalha o ano inteirinho para o
Governo roubá-lo de tudo quanto é jeito, e, naquele bendito dia que pega aquele
bendito ônibus, acaba carbonizado por vândalos que fazem festa junina com
ônibus. As crianças têm de ficar espertas com pedófilo que não acaba mais,
quando não vem uma bala perdida, e aí é família no IML pra reconhecer um
coitado que mal começou a viver.
Mas prestem atenção nessa história. Era
uma vez uma garota que amava os Beatles e os Rolling Stones, e essa garota juntou todo dinheirinho que tinha para ir a uma apresentação de rock, e olha
ela aí. Põe na tela do Cidade:
Vai vendo, vai vendo, dá trabalho pra
fazer! Olha o show que beleza. A rapaziada lá tocando, e a galera cantando junto.
Agora pára a imagem. Estão vendo esta figurinha aqui? Olha o que ela vai fazer.
Solta a imagem! Vocês estão vendo, né? Ó, parece que está trepando num muro,
subiu no palco, aí o cara vem e ó. Pára a imagem. Mas cês tão vendo a estampa
da garota? Olha que cara medonha. Sem os dois dentes da frente, cabelo com
tudo que é tinta, espinha na testa. Ô, meu povo, o guitarrista se assustou. Eu, se
fosse ele, achava que era assombração, e dava com o violão na cabeça dela. E
foi o que ele fez. Roda a imagem. Aqui, olha no canto da tela, ó, créu! A garota é violada em pleno palco! E não era qualquer violão, não. Devia de ser
desses de marca. Olha que desperdício, acabou com o violão por conta de
uma doida, e uma doida baranga, o que é pior. E só Percival sabe quanto tempo o moço vai puxar de cadeia. Não é, Percival? Fala, homem! Ô, múmia!
Agora, vamos ver o caso do triplo homicídio
seguido de morte.
Nhandeara, 4 de
setembro de 2014
Marcos Satoru
Kawanami
CIDADE ALERTA
Meus amigos, essa onda de bandidagem já
beira as raias da ignorância. Ninguém mais sabe nem onde nem quando vai ser
arregaçado pelo avesso, queimado, e mal pago. Depois a bomba explode é no IML que
tem de decifrar em código morse se aquilo ali é homem, mulher, ou ser humano. E
eu digo em código morse por causa da máfia, do crime organizado mesmo,
infiltrado em todas as esferas da máquina pública, inclusive, meu povo, no
Necrotério, que é pra continuar roubando o cidadão contribuinte de bem até no
Bairro do Pé Junto!
Agora, meu povo, vejam vocês, a gente
não tem mais o direito nem de saber por que a rua em que o meliante resolveu
nos subtrair um pertence qualquer tem o nome que tem: ninguém responde. É
delegado, é sub-prefeito, é vereador, representante de moradores, em muitos
casos, ninguém vai te responder, meu amigo telespectador. Eu vou te dar um
exemplo: Lá no Rio de Janeiro, pouca gente sabe por que a Avenida Marechal
Floriano tem esse nome, o que é um absurdo. A Avenida Rio Branco, uma das
principais da capital fluminense, você pode perguntar pra neguinho que tá
passando nela mesmo, não sabe quem foi o Barão do Rio Branco. Se uma vítima for
jogada por uma das janelas do Edifício Avenida Central, olha, eu acho que é
capaz da polícia demorar para achar o presunto, porque ninguém mais sabe que a
Avenida Rio Branco era a antiga Avenida Central.
E aqui em Sampa? A Rua Hadock Lobo tem
esse nome por quê? Rua Domingos de Morais por quê? Se eu for assaltado na Loef
Green, por que essa rua tem um nome bisonho desses? E se aquela dentista que
foi deixada pelo amante no motel em plena Marginal Tietê, e arrumou a desculpa
de que o carro quebrou, tivesse com o carro quebrado na Rua Augusta? Ah, mas
daí, meus senhores, nós só temos uma explicação: o consultório da dentista
faliu.
E essa agora, parece até que Salvador Dalí ressuscitou para
escrever esta novela. Nunca antes na história deste país se importaram médicos,
e estamos importando. Aí é que eu pergunto: Tem cupa eu? Tem cupa eu?! Claro
que não! Não sou eu que ando por aí roubando o erário público, e fazendo essa
cagada toda. Aliás, mamãe pregou um botão na minha bunda. Percival sabe bem do
que eu estou falando, não é, Percival? Fala, Percival. Ô, múmia! Bom, quem cala
consente.
Mas tudo bem, corta pra 18. Que foi?
Não gostaram? Então, segue o programa. Põe na tela aí o furo de reportagem.
Estão vendo o furo? Digam-me uma coisa: o projétil que furou este cidadão foi
desferido por um artefato calibre 38, 45, ou esta coisa medonha é tiro de
fuzil? Em alguns assuntos, é melhor manter a ignorância, não é?, meu amigo,
minha amiga. Quer saber? Corta pra 18 mesmo.
Nhandeara, 28 de agosto de 2013
Marcos Satoru Kawanami










