sábado, 21 de junho de 2014

O Grande Mentecapto - filme de Oswaldo Caldeira - elenco: Diogo Vilela, Osmar Prado, Luiz Fernando Guimarães, Emiliano Queiroz, Débora Bloch, Cláudio Correia e Castro, Regina Casé, Imara Reis, Jofre Soares, Álvaro Freire, Antônio Naddeo, Maurício do Valle, Geraldo Carrato, Drica Lopes e Duse Nacarati.

http://tocadoscinefilos.net.br/o-grande-mentecapto-1989/
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AS FLORES RÚCULAS
à poeta Rafaela Gomes Figueiredo

Poeta tenho sido, assim, escrevo
conforme, um dia, rúculas plantei
e, à moça do meu zelo, as dediquei
— as flores rúculas do meu enlevo.

Agora, flores versos eu me atrevo
a no papel plantar igual não sei
plantar os girassóis que não plantei,
vivendo mais a vida do que devo(?).

Efeito cuja causa está bem nisso
de haver na Poesia o que me atiça
o siso dos sentidos por seu viço.

Poeta é Rafaela, que enfeitiça
o meu olhar atento de mestiço
com seu olhar atento de mestiça.




Nhandeara, 22 de maio de 2014
Marcos Satoru Kawanami
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P.S.:
Eu plantei as rúculas na Ilha do Governador (RJ), e as entreguei a Élida Nazaré Tavares da Silva, que estudava comigo no Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha C.N.E.C. - RJ em 1989, tínhamos 13 anos de idade.
A terra do quintal era de entulho, então, trouxe terra boa de outro lugar.
Plantei também rabanetes, mas nasceram enrolados uns nos outros, e morreram.
Ela não deve ter entendido nada, mas rúcula foi o que eu soube produzir naquela época.
Passei por mentecapto.

sábado, 17 de maio de 2014

a rima feminina

tipos de rima

A RIMA FEMININA
à poeta Rafaela Gomes Figueiredo

Rimar é coisa à toa, entanto é bela,
e, à toa, é que podemos contemplar
a bela coisa à toa de um luar,
que, junto ao mar, motiva uma aquarela.

A rima feminina, a rima é ela:
mulher, moça, menina, o ocular
colírio sem razão do meu trovar
a rima feminina Rafaela.

E, achando-me de estar agora à toa,
achei que só rimava bem por ela,
e rima em ela é rima assim tão boa

que tive de deitar esta singela
porção de tinta no papel que ecoa
as rimas que trovei por Rafaela.




Nhandeara, 17 de maio de 2014
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 13 de maio de 2014

plenilúnio

Lua no céu do Brasil
em 13 de maio de 2014

PLENILÚNIO
à poeta Rafaela Gomes Figueiredo

Sorriso juvenil de Rafaela,
na noite plenilúnia do meu zelo,
nenhum mal haverá por desfazê-lo
na foto em que ela ri tão sempre, e bela.

Sorrindo é que eu escrevo por aquela
de quem a sintonia está no belo
vibrante timbre audaz do violoncelo,
que o nome angelical disfarça e vela.

Retrato fotográfico tão dela
incide sobre minha identidade,
vertendo copo d’água em aquarela.

E fulge em mim solar felicidade
sabendo que, esta noite, Rafaela
a Lua vê com mesma intensidade.



Nhandeara, 30 de abril de 2014, Lua Nova
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Atos dos Apóstolos, capítulo 1

Ascensão de Jesus Cristo

ATOS 1

Passado o tempo hostil das hostes mortas
deixadas para trás do que se esquece,
assim como subiu, agora desce
rompendo, em Seu descer, celestes portas.

O verso escrito certo em linhas tortas
foi posto no papel, foi posto em prece,
sem pressa, e a seu tempo, e apetece
a ti que podes ver, e o vento exortas.

Exortas hostes mortas vento vão,
passado hostil do tempo alheio ao todo
bem-vindo nestes versos de oração.

Por mais que se haja feito verso a rodo,
um verso torto escreve perfeição
se tem em Jesus Cristo o seu denodo.



Nhandeara, 7 de maio de 2014
Marcos Satoru Kawanami


sexta-feira, 25 de abril de 2014

isso, ninguém viu...



ISSO, NINGUÉM VIU...

Fritaram o pastel em óleo frio;
isso, ninguém viu...
Jogaram o pastel em óleo frio,
só fui eu quem viu!

Quem não é de reclamar,
ao comer aquela massa,
não parava de agachar;
e, quem viu, achava graça.

Eu fiquei no fim da fila;
ao chegar a minha vez,
teve até quem, pela axila,
da bagagem se desfez.

Evitei constrangimento:
recusar, não recusei;
eu guardei o provimento,
mas, depois, o desguardei.

Corajoso foi o Empada,
trombonista de primeira,
levou tudo para a amada,
que passou por corneteira.

Quem tem pressa, come cru;
com o Empada, foi assim;
se, na pressa, foste tu,
este mundo não tem fim.


Nhandeara, 25 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 23 de abril de 2014

a merda da tua vida


A MERDA DA TUA VIDA

A merda mais sulfúrica que fiz
foi ter cagado no ventilador,
feito uma rima tipo dor e amor
que se rabisca, sem autor, a giz.

Caguei como quem caga e é feliz,
e foi a vida inteira o meu pendor
continuar cagando sem supor
que, em tal ofício, fui eu aprendiz.

Passei por maus bocados ventilando
o enxofre que encontrei na terra, arauto
do que não encontrei na terra, andando.

Caguei por ser poeta, e fui incauto;
e, agora, a tua vida avaliando,
que merda seguirás sempre lembrando?




Nhandeara, 19 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami

locus amoenus


LOCUS AMOENUS

Esteve a tarde inteira ali sentada
a velha que nos olha, sendo cega;
um cão vadio passando agora rega
os pés da pobre velha sem ver nada.

A velha percebeu que foi mijada,
devido à experiência que carrega;
os velhos são bons nisso, não se nega,
e, cega, soube que não foi cagada.

Melhor assim, pensou, agora posso
ficar mais um pouquinho aqui na praça,
sem ver que o cão vadio fazia um troço.

Sentindo a iminência da desgraça,
corri com tanta gana, que alvoroço
causei ao derrapar por sobre a massa.




Nhandeara, 19 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 22 de abril de 2014

cão e gato


CÃO E GATO

O gato olhava o cão, e, em si, pensava
maneira pra poder sacaneá-lo,
até que a ideia veio num estalo,
enquanto que o feijão eu preparava.

O cão, estranhamente, me assombrava
ralando rabanete sobre o ralo
com tal habilidade que eu não ralo,
pois gosta de ajudar, e me ajudava.

Janela aberta, surge o bom felino,
em duas patas, meio sem noção,
seguido pelo cão que perde o tino.

O cão fere a panela-de-pressão
que emite aquele timbre assaz mofino,
e é cão, é gato, é tudo na explosão...



Nhandeara, 19 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami

domingo, 20 de abril de 2014

Páscoa: os desencanados serão salvos - Paulo Leminski: distraídos venceremos



OS DESENCANADOS SERÃO SALVOS

Carvão, tu és bem preto, feito Adão,
hebreu e pai de todos os mortais
que, dos remotos tempos ancestrais,
representamos, hoje, a sucessão.

Carvão, carbono, irmãos mais do que irmãos,
irmanam diferenças diametrais,
mesquitas, sinagogas, catedrais,
grafite e diamante em contramão.

Porque, de diametrais, as diferenças
só têm uma questão de alotropia
organizando tantas desavenças.

De todos, novo alótropo se cria
desencanado, harmônica presença
que tinha o pai Adão, e não sabia.



Nhandeara, 20 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 8 de abril de 2014

Itaquerão: inauguração do estádio do Corinthians será domingo, dia 18 de maio em partida Corinthians vs Figueirense. - Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) - Direção: Glauber Rocha - com Yoná Magalhães, Geraldo Del Rey, Othon Bastos e Maurício do Valle

http://tocadoscinefilos.net.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol/
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Deus e o Diabo no Itaquerão

        Eu desci do Metrô, e comecei a subir a escada quando brotaram luzes das minhas calças; devia ser coisa do Metrô, sempre tem luz percorrendo a gente em São Paulo; mas daí passei a caminhar na passarela aberta, e as luzes das calças eram mais fortes que a claridade solar. Raciocinei profundamente: Fodeu.
        Uma nuvem adamastórica se formou ao longe, e veio célere parar juntinho da passarela. Jesus Cristo caminhou em cima da nuvem até o corrimão da passarela, saltou-o feito um atleta, e veio me encarar:
        — É hoje, misinfio! — disse-me o Filho de Deus.
        — Ecco, agora entendi estas luzes saindo por tudo quanto é buraco de mim: será que eu sou o diabo? Mas tu viste bem que, nascendo de mulher e sendo homem como tu o fizeste, eu fui muito obediente a Deus...
        — Né isso não, seu Zé Mané! — exclamou o Cristo, abraçando-me num arroxo forte, e me dando aquele beijo, reportando-me à história antiga que me deixou cabreiro...
        Falou para a gente pegar o Metrô, que estava tendo jogo no Itaquerão: Corinthians e Palmeiras.
        Chegando em Itaquera, estava tudo lindo, as pessoas eram anjos:
        — É o Paraíso...
        — Ô, meu, Paraíso é outra estação; entra logo que vai fechar. — advertiu-me Jesus.
        Começou a partida, jogo normal, mas Jesus falou displicente:
        — Ó, tá vendo isso aí, é tua Teologia das Probabilidades; cê não disse que o mal é sempre intencional, e que o aleatório é divino? Um jogo de futebol é um evento aleatório com inúmeras variáveis e que dura 90 minutos, ponha aleatório nisso! Se o Corinthians vencer, estabeleço já o Reino de Deus; se o Palmeiras vencer, o quebra-pau vai ser tamanho, que a Teoria do Caos entra em cena, e, numa onda de violência efeito dominó, começa a Guerra Nuclear.
        — Vai, Corinthians, vai! — torci.
        — Agora é vai? Você é palmeirense desde pequenininho. Lembra do Evangelho?, diabo é porco. Deus é Fiel...
        — Corinthians! Corinthians! Corinthians! — continuou torcendo o diabo com o cu na mão, e muito amigo de Deus por fim.

Nhandeara, 28 de dezembro de 2011
Marcos Satoru Kawanami
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Escrito em 28 de dezembro de 2011:
http://memoriasdaliravelha.blogspot.com.br/2011/12/deus-e-o-diabo-no-itaquerao-corinthians.html