quarta-feira, 26 de março de 2014

Sin Noticias De Dios (2001) - filme de Agustín Díaz Yanes - com Penélope Cruz e Victoria Abril

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/sem-noticias-de-deus-2001-direcao.html
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NÃO SÓ DE PÃO VIVERÁ

—Eu não sou mais criança pra morar
na zona deste baixo meretrício;
na minha escola, aprende só a ter vício
aquela estranha fauna a se enjaular.—

A jovem começou a questionar
a escola igual quem pede um armistício;
criança não é mais, disso é indício
o nome que está dando ao próprio lar.

Percebe que difere da matéria
humana, ainda que bruta, mas humana
na bárbara postura da miséria.

Miséria não de pão, porém na gana
pra ter a vida envolta em vida séria,
sentindo Deus no além que dEle emana.




Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 20 de março de 2014

2001: a space odyssey - film of Stanley Kubrick


WE?

Lonelyness is a so natural state
of any living matter you will find;
’cause when I was a child, now I remind
myself: I was alone, that was my hate!

I had a mother, a father, a faith,
and the true love of my sister, so kind...
come from the very equal flesh of mine,
and, yet, I was I behind the soul’s gate!

Now, where’s my faith, my sister, where am I?
in this spinning sphere which just says good bye
to teach us good bye, to teach us to pass...

As our life goes too fast, we’re lonely as
the fast spaceship that goes faster as far
it is from us, from the Origin we are!



Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 18 de março de 2014

O meio do avesso - Rafaela Figueiredo



O meio do avesso – livro de Rafaela Figueiredo

        Um dos predicados da Poesia é revelar o que não é óbvio, um outro também é dizer o óbvio de maneira não óbvia. Rafaela Gomes Figueiredo faz tanto um quanto outro com maestria, e ainda alcança dizer o não óbvio de maneira não óbvia!
         É a raridade de uma inteligência que capta o sutil, e o transforma em sublime. E, com essa impressão, foi que eu li todo o seu livro O meio do avesso.
        Identifiquei-me com a estética pitoresca e precisa, além da imaginação mas jesuiticamente racional e firme da autora: o livro é denso e irretocável, sólido como o mármore, e fluente como o vinho!
        Há muitos livros lidos que não sinto um livro tão bom. Esta poeta é da elite dos poetas, garanto, e será reconhecida. Eu li cada poema com enlevo idêntico com que li Estrela da vida inteira, de Manuel Bandeira, nos idos de meus 16 anos de idade.



um [o]caso  [2009]

cultivei na pedra a sua flexibilidade.
esculpi em mármore, no escuro,
a efemeridade do sol, da solidificação;
dos astros em metafirmamento.

mas o mármore faliu...
e com ele todo o frio sentimento
derramado no céu branco da razão
como poça, como pó, como poção...

no palco da noite, somente a escuridão
a orquestrar o solo do sono inefável,
como plectro da mente a esmerilhar-se
no quando negro da emoção.






_ _ co _ _ leta  [2009]

se não fosse a boca
[da palavra, a sede]

se não fosse o ócio
[balouçando à rede]

se não fosse a tinta
[na tela ou parede]

se não do amarelo
[derivasse o verde]

se não redondilha
[de cinco, mas sete]

se não fosse a rima
[colhida na Net]

a alcunha poética
seria: COMPLETE!



sexta-feira, 14 de março de 2014

Delírios de um Cinemaníaco (2013) - Diretores: Carlos Eduardo Magalhães / Felipe Leal

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/05/delirios-de-um-cinemaniaco-2013.html
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CONTRADIÇÕES

Portugal...
Lá meu passado deixei,
No chão que nunca pisei.

Não faz mal...
Mal é o mundo que pisei,
Que pisou-me e não deixei.

Frio val...
Das mentiras que aceitei,
Das verdades que inventei.

Pá de cal...
Finda tudo que sonhei,
Mal-me-quer que não plantei.

Prantinal...
Lembro tudo que não sei,
Lembro o que nunca serei.

Funeral...
Amo a morte que esperei,
Espero a mulher que amei.



Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 12 de março de 2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um livro jamais escrito em toda a História Humana, e Desumana. Uma mente crítica, analítica, paleolítica. Um livro que você vai pagar para ler.


Ilustração da capa:
Artêmio Fonseca de Carvalho Filho

Link: Solilóquio

Há uma versão rudimentar do livro no Domínio Público, mas esta versão impressa é mais recente e completa.

Este livro agora impresso tem mais poemas, e tem crônicas estranhas.

Pelos mesmos produtores de Um gato comeu seu mouse em noite de lua cheia... Solilóquio - poemas.



BORDADO

O meu corpo é um novelo
do linho mais amarelo,
minha vida é desfazê-lo
nos versos do amor singelo.

Nas tantas noites que velo,
castigando o cotovelo,
as rimas às quais apelo
são a voz do mudo zelo.

Assim, eu deixo um bordado
neste planeta a quem tem
lido o que tenho deixado.

Se acaso você também
tem-me igualmente estimado,
borde-me aí do seu lado.


Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Febre do Rato - filme de Cláudio Assis - com Irandhyr Santos, Nanda Costa e Matheus Nachtergaele

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/08/febre-do-rato-2012-direcao-claudio-assis.html
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SONETO SOLILÓQUIO

Naturalmente em mim autista hermético,
o drama foi fazendo-me... dramático!,
extravasando até o esquema tático
em prol de um benefício mais estético.

Atleta mais melódico que atlético,
sou simbiose de um sopro pneumático
trompista, e artifício matemático;
e em síntese resumo do frenético.

Pois disse-me a parteira no meu parto
que eu fosse à merda!; eu ri, e teve início
a minha saga errante de Pinóquio.

E dentro do meu crânio existe um quarto
em cena teatral onde o bulício
da platéia é aplauso a um solilóquio...



Marcos Satoru Kawanami
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PS: O poeta diz a verdade mentindo, o político mente dizendo a verdade.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

fábula do futebol - Este texto é aberto a várias interpretações, só não estou falando de futebol.



FÁBULA DO FUTEBOL

A bola vai rolar em campo aberto
sem linhas demarcando esta partida
de futebol sem árbitro e torcida,
mas eu, só de bobeira, estou por perto.

E vejo que rolou a bola, certo
da alegre apoteose sem medida
que o gol ensejará em minha vida,
mantendo a vista atenta, fico esperto.

Jogadas de espetáculo circense
empolgam-me no início, estou contente,
com ânimo de time que só vence.

Depois, eu torço feito um penitente,
mas que jogada heróica há que compense
um campo de traçado e gols ausentes?



Nhandeara, 15 de fevereiro de 2014
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Sorriso de Mona Lisa (2003) - Direção: Mike Newell - com Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/12/o-sorriso-de-mona-lisa-2003-direcao.html
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MONA LISA SMILE

O drama bom que a Bíblia nos revela
demonstra que pra tudo há solução,
até a morte tem ressurreição
se a gente se afeiçoa à Vida bela.

E a Vida a qual se deve pois dar trela
é simples, tendo em Cristo a devoção,
passando pelo mundo em comunhão,
sentindo o bem do olhar... e da remela.

O drama engrena o mundo, e dá cinética
à máquina da humana sociedade,
ainda que contrário a muita ética.

Talvez a dor pareça até maldade,
mas luz e sombra dão a forma estética
de tudo quanto ganha a Eternidade.



Marcos Satoru Kawanami

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Xingu (2012) - Direção: Cao Hamburger - com Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat

http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/11/xingu-2012-direcao-cao-hamburger.html
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FUNERAL DA FILOSOFIA (começo do livro)

  A Filosofia é pretensiosa e inútil.
 É pretensiosa porque tenta explicar o Universo do qual o filósofo é reles criatura; e mais: tem a intensão de aperfeiçoar o mesmo Universo, o que implica em um absurdo: a criatura aperfeiçoar o criador.
  Afirmo que a Filosofia é inútil: em que o ser humano hodierno é mais feliz que "Adão e Eva", alegoria da Humanidade pré-histórica? Vivíamos no Paraíso. Violou-se a "árvore da sabedoria", ou seja, passamos do raciocínio prático para a especulação científica. Vivemos a Civilização. E basta observar a troca de palavras para lamentarmos quão descomunal foi nosso prejuízo: antes Paraíso, agora Civilização. Antes tínhamos um Deus (ou divindades), agora queremos ser Deus e, sendo que nunca o seremos, perdemos o caminho e o guia.
  Paradoxalmente,  a  Filosofia  prova  sua  perversidade: deu-nos  a Civilização para depois apontar toda a miséria das relações civilizadas. Todo o conforto da Ciência não vale o Paraíso perdido. Tínhamos a suprema sabedoria de não pensar para além da nossa fome; hoje nossa estultícia criou uma fome insaciável: a vaidade da Transcendência.
  Ao mesmo tempo que a Transcendência parece libertadora ao rejeitar qualquer dogmatismo e ao considerar o ser humano como um "projeto infinito", este ideal de seguir sempre o "além-do-homem" não tem fundamento. Teria fundamento se o mundo fosse eterno, mas nem nosso planeta nem o Universo são eternos; a Ciência mesma o diz: por mais que a tecnologia consiga aproveitar a energia do Universo a favor da vida, esta energia se esgotará em um equilíbrio estagnado e estéril. De modo que considerar o raciocínio como instrumento de "perpetuação da espécie" não faz sentido, pois não há o que se perpetuar, não há eternidade para a matéria viva. O raciocínio só é proveitoso quando promove a felicidade, ou seja, quando é usado para resolver problemas imediatos ao bem-estar fisiológico e afetivo. Assim, a Filosofia poderia satisfatoriamente limitar-se a pregar: achemos o que comer, e brinquemos igual crianças. Pensar além disso é buscar complicações artificiais e construir torres de Babel a embargar o caminho singelo da alegria. O ser humano tem o dom da consciência que o permite saber se é feliz; contemplar a felicidade é o melhor uso da consciência. Mas o fato é que a Civilização aí está com a dinâmica social de produção. E produz o quê? Produz inúmeras coisas, mas jamais produziu felicidade natural. Com certeza produz o vazio existencial, cada pessoa sendo transformada em peça da máquina econômica. Restou à conciêcia corromper-se: deixou de contemplar a felicidade que a Natureza lhe dava de graça, para lamentar a angústia que a Civilização lhe vende cobrando caro.
  Contudo,  só  resta  remediar  o  mal  imperante;  tentar  reverter  o processo civilizatório seria utopia: quem, por exemplo, se dispusesse a viver numa comunidade indígena autêntica, estaria à mercê da civilização predatória. No mais, onde quer que ele vá, o civilizado já vai contaminado por sua cultura. Como disse, resta remediar o mal; escarnecedoramente, um remédio é a Filosofia: do veneno se faz o antídoto. O outro remédio, mais forte e eficaz, ainda que compatível apenas com os privilegiados da Fé, são as religiões.
  Mas, sem considerar o aspecto religioso, tenho fé na benfazeja indiferença à Civilização e seus problemas. Serei um pré-histórico. Convivendo com a Civilização por necessidade, usarei do raciocínio apenas para o gozo imediato da existência. Aqui eu preparo um funeral, e os pensamentos que seguem arquivados  neste livro  são  as  flores murchas  do  passado  que ofereço neste funeral: o Funeral da Filosofia.

Monções,6 de dezembro de 2001
Marcos Satoru Kawanami
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SÓ A RAZÃO NÃO É SUFICIENTE

        Só a Razão não é suficiente.
        Uma pessoa passa por vivências usando a Razão, e não crê em Cristo.
        A mesma pessoa passa por vivências diferentes usando a Razão, e crê em Cristo.
        Disso, percebe-se que a Razão é apenas uma ferramenta, a qual pode levar a conclusões diametralmente opostas, dependendo das experiências de vida de cada pessoa, dependendo do acaso.
        Com a Fé, a pessoa deixa de depender do acaso, pois as experiências de vida são apreciadas pela Razão sob uma perspectiva ampliada de discernimento.

Nhandeara, 4 de dezembro de 2013
Marcos Satoru Kawanami



No princípio, era o Verbo...

         O ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e vontades fisiológicas cerebrais, a Origem é uma Vontade sem ato precedente (vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
         Do contrário, o funcionamento cerebral seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente descartado do Mundo Material.
         “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São João.


Marcos Satoru Kawanami