ALCAGÜETE
Um dia sinhá Dadete
se meteu com Delator
sem saber do cacuete
que tinha esse impostor.
Mania feia dessa gente
dada a ser dedo-duro...,
pois logo ficou patente
que Delator cobrava juro.
Colocou a pica ao ágio
da bolsa de valores,
e Dadete por um fromaggio
leiloava os seus pudores.
Triste enleio por que passa,
na unha de alcagüete,
tutta leggiadra ragazza
que escorrega num cacete!
Marcos Satoru Kawanami
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
FÁBULA DA HONRA
Andando pela estrada da vida,
ia a Honra, a Ciência, e a Riqueza.
Falando com firmeza de entendida,
a Ciência disse que com certeza,
caso ela se perdesse na jornada,
na casa de um notável engenheiro,
pelas amigas seria encontrada.
A Riqueza, senhora do dinheiro,
disse: “Facilmente serei achada
no palacete de um milhonário”.
Vendo que a Honra não falava nada,
perguntaram por que o mudo fadário.
Disse, pois, a Honra: “Quem me perder,
jamais poderá tornar a me ver...”
Nhandeara, 7 de março de 2000
Marcos Satoru Kawanami
obs: ainda não conhecia a técnica do verso.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SONETO DO FIM
O fim da gravidez é o nascimento;
o fim do nascimento é dar a vida;
o fim da vida é a sorte prometida
e revivida em todo sacramento.
A infância é finda com o crescimento,
que transforma a mulher bem mais querida
ao homem já viril em sua lida;
tudo a fim de que exista casamento.
O começo do fim é o Universo,
e nele começou a Humanidade,
que, um dia, começou a fazer verso.
O verso tem por fim posteridade
se o mundo não lhe der um fim perverso;
enfim, o fim do fim é a eternidade.
Marcos Satoru Kawanami
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A VIZINHA
Não segui o conselho da vizinha
para eu não tocar mais no trompete
(vizinha mulher em tudo se mete),
e assim toco no quarto e na cozinha.
Digo que toco mal... —modéstia minha,
porque, se as notas são apenas sete,
eu estou dentro do que me compete:
assopro a escala desde manhãzinha.
A vizinha já pensa em se mudar.
Será que o trompete é muito estridente?
Outro instrumento, pois, hei de tocar!
Tocarei tuba, que é bem imponente.
E que a vizinha vá se estrumbicar
no Inferno, com a bunda num tridente!
Marcos Satoru Kawanami
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domingo, 15 de novembro de 2009

IRMÃ
Ao mundo fui dado, por Deus, sozinho
na indiferente urbe bandeirante;
mas remanesça da infância distante
a perene imagem do meu anjinho.
Naqueles meses de flores rotundos
mais se entrelaçavam nossos destinos;
entre brejeirices e desatinos,
juntos, nós desvelávamos o mundo.
Se a vida começamos lado-a-lado,
não há de ser assim a vida inteira;
porém, vendo eu minh’ora derradeira,
lembrarei de ti, anjo bem-amado
(prima amiga da ímpia alma minha),
porque te amo, minha irmãzinha...
4-abril-1996, Rio de Janeiro —Galeão
Marcos Satoru Kawanami
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sábado, 14 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
COERÊNCIA
Um velho moço,
sentado em pé
numa pedra de pau
de manhã já tarde
pensava:
Como o mundo é harmonioso...
A ameixa preta, por exemplo,
ela é vermelha
quando está verde!
Marcos Satoru Kawanami
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Um velho moço,
sentado em pé
numa pedra de pau
de manhã já tarde
pensava:
Como o mundo é harmonioso...
A ameixa preta, por exemplo,
ela é vermelha
quando está verde!
Marcos Satoru Kawanami
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CÂNTICO EM DESCOMPASSO
Uma insone prantina, orvalhando o lençol,
a cintilar, reflete o que não há de sonho
no cântico ideal feito réquiem medonho
em pentagrama* impresso ao arribar do Sol.
Mas, a cada manhã, revigorar suponho
o cântico, alentando-o mais em cachecol
insano, e espiralado qual um caracol
a furtar-se do agreste, gris mundo enfadonho...
Mundo enfadonho!, duro, rijo em teus limites:
por que dás-me esperança?, se tanto é proibido
sob a tua foice atroz; por que sonhar permites?
Amo, sabes?, mas este bem vem preterido
pelo tempo de eu não-ser, e nada há que evite
se aflora-me anacrônica cruel libido.
Marcos Satoru Kawanami
*pentagrama: 5 linhas da partitura musical.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
se meu fusca falasse
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verso livre
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

APOLOGIA DA ESTÁTICA
Imóvel permanece quem na vida
se encontra satisfeito por completo;
tem tudo, mesmo sendo analfabeto,
quem vive agora a sorte prometida.
Mais vale a permanência que a partida
se talvez o além-mar nos guarde afeto,
posto que não há gozo mais seleto
do que prezar a sorte recebida.
O mundo foi criado por amor,
mas por paixão está em movimento;
de maneira que ocorre-me supor:
Tendo Deus agitado o firmamento,
e dado a nós a Sua semelhança,
serão leis o mover e a esperança?
Marcos Satoru Kawanami
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