
IRMÃ
Ao mundo fui dado, por Deus, sozinho
na indiferente urbe bandeirante;
mas remanesça da infância distante
a perene imagem do meu anjinho.
Naqueles meses de flores rotundos
mais se entrelaçavam nossos destinos;
entre brejeirices e desatinos,
juntos, nós desvelávamos o mundo.
Se a vida começamos lado-a-lado,
não há de ser assim a vida inteira;
porém, vendo eu minh’ora derradeira,
lembrarei de ti, anjo bem-amado
(prima amiga da ímpia alma minha),
porque te amo, minha irmãzinha...
4-abril-1996, Rio de Janeiro —Galeão
Marcos Satoru Kawanami
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