IMITAÇÃO DE CRISTO
ao ceguinho poetão Glauco Mattoso
Não faço apologia ao sofrimento,
nem ojeriza tenho ao mundo e ao gozo;
não sou vanguarda, nem tampouco idoso;
mas, sim, dou viva ao livre pensamento.
Da graça da fé cega estou isento,
mas da graça e fé cega sou cioso,
e almejo o Paraíso esplendoroso
prometido por todo sacramento.
Cuido, porém, que Cristo deu exemplo
ao sofrer o martírio no Calvário,
altar desta verdade que contemplo:
Será no mais extremo e perdulário
despojo, sem amparo, mãe, ou templo,
que hei de ver Deus em meu itinerário.
Marcos Satoru Kawanami
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009

SER PAI
“Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!”
(Coelho Neto)
Ser pai é duvidar, mas ir em frente
criando o bacuri que está no mundo
com zelos e cuidados, sem no fundo
saber se esse pirralho é seu parente!
Ser pai é ter um título aparente
de rei, que empunha o cetro cornibundo
e veste o ledo manto vagabundo
do Chaplin que parece estar contente.
Mas, enfim, o que vale é a Família
à parte de somenos prejuízo
que fica bem na altura da braguilha.
Confie que a comadre tenha siso,
assim você verá que maravilha:
ser pai é padecer num paraíso!
Marcos Satoru Kawanami
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

FREUD EXPLICA?
(ficção total)
para Glauco Mattoso
“No fundo, o grande sonho masculino
é conseguir chupar a própria tora”,
assim falou Mattoso numa hora
em que se axibungava seu destino.
Quanto a mim, o meu sonho de menino
era beijar meu próprio cu por fora,
e meter com volúpia e com demora
a piccola piroca no intestino.
Aí, porém, a coisa se complica
pelo meu anatômico limite,
que não é só meu, ao que tudo indica...
De modo que, se o mestre me permite,
perguntarei: Será que Freud explica
o nosso tão onânico apetite?
Marcos Satoru Kawanami
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| VOX POPULI: |
quarta-feira, 21 de outubro de 2009

MÁQUINA DO TEMPO
A memória que guardamos na mente,
Do tempo a passagem nos faz conscientes.
Mas o passado que a gente sente
É a memória que o traz ao presente.
E esta intuição contraditória
É a máquina do tempo da memória.
Marcos Satoru Kawanami
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| VOX POPULI: |
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009

SONETO FEROZ
Eu não quero o lirismo comedido,
como já disse o velho e bom Bandeira;
eu não quero a bandeira brasileira
entre tantas de um mundo dividido.
Eu quero o amor geral, o Amor perdido,
difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira, só a vontade prazenteira
de viver sem jamais ser iludido.
Eu não quero este mundo decadente
que se ufana a dizer ser progressista
num suicídio lento, enquanto mente.
Eu quero é o ideal surrealista,
a doida sanidade do demente,
a lúcida loucura do autista!
Marcos Satoru Kawanami
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sábado, 10 de outubro de 2009

NONSENSE 3
O governo resolveu instalar um sistema de medição e controle de abalos sísmicos que cobriria todo o país.
O então recém-criado Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectara que haveria um grande terremoto no Nordeste do país.
Assim, enviou um telegrama à delegacia de polícia de Icó, uma cidadezinha no interior do Estado do Ceará.
Dizia a mensagem:
"Urgente. Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso. Richter 7. Epicentro a 3km da cidade. Tomem medidas e informem resultados com urgência."
Somente uma semana depois o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:
"Aqui é da Polícia de Icó. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas. Todas as putas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. Não respondemos antes porque houve um terremoto da porra aqui."
Hilda Hilst Érica
jornalista sem diploma freelancer, e freelancer também
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| VOX POPULI: |
quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NINFETA ARREPENDIDA
Um outro dia, a coisa ficou preta
quando eu, dondoca virgem mirradinha,
topei com um negão viril que tinha
saindo dos calções uma perneta.
Um monstro meio obra do capeta;
quem sabe seja ignorância minha
ou efeito do assombro que me vinha,
mas cuido que, tal jeba, só em peta.
Caguei de medo, e fiz uma careta,
ao que ele mais sentiu-se estimulado,
e detonou-me o cu tão bem zelado.
Ainda guardo a fama de ninfeta,
porém, arrependida, vem-me o enfado:
eu tinha é que ter dado logo a greta!
Marcos Satoru Kawanami
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| VOX POPULI: |
terça-feira, 6 de outubro de 2009

APOLOGIA DA BESTEIRA
"A besteira é a base da sabedoria."
(Falcão, compositor cearense)
Tudo o que há de perverso para a Humanidade
desde as guerras às brigas de menor instância,
qualquer hipocrisia ou beligerância,
o Mal, fadigas, farsas, vêm da seriedade.
O que é ruim se veste de sobriedade;
os crápulas, na sua eloqüente jactância,
vestem com gozo o ledo dólman da elegância,
mas deixam sempre rastros de calamidade...
Por outro lado, que mal fez algum mendigo
ou fanfarrão ou ébrio sem qualquer valia?:
examinando a História, lembrar não consigo...
Por mim, o siso nunca mais existiria:
a severidade é fábrica de inimigo,
já a Besteira é a base da Sabedoria!
Marcos Satoru Kawanami
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sábado, 3 de outubro de 2009
VEREDITO AO DISCURSO
Folha chata de papel,
De que me és de proveito?
Que sentir, sentido, efeito
Têm as palavras ao léu
De seus caprichos lançadas
Desde o limbo imaginário
Para o formato ordinário
Da celulose prensada?
E me ponho a escrever...
Voz burocrática entoa:
“A palavra escrita é boa!”
—Só para ofício há de ser.
Pois escrever é um ofício,
Já dizia o seu Machado
Para Bilac extasiado
Em falácias de artifício;
Mas comunicar efeitos,
Só mesmo os feitos, ação!
Abaixo inócuo confeito,
Volátil discurso vão!
Quero fazer redondilhas,
Versos-monte fervorosos!
Não dizer, mas fazer Ilhas-
Vida em mares estrondosos!
—Todo o de essencial perdido
Em seu arregrar trivial,
Talhe bidimencional.
Rudo cismo: que sentido
Têm as palavras ao léu?
Que sentir, sentido, efeito;
De que me és de proveito
Folha chata de papel?
Marcos Satoru Kawanami
.
Folha chata de papel,
De que me és de proveito?
Que sentir, sentido, efeito
Têm as palavras ao léu
De seus caprichos lançadas
Desde o limbo imaginário
Para o formato ordinário
Da celulose prensada?
E me ponho a escrever...
Voz burocrática entoa:
“A palavra escrita é boa!”
—Só para ofício há de ser.
Pois escrever é um ofício,
Já dizia o seu Machado
Para Bilac extasiado
Em falácias de artifício;
Mas comunicar efeitos,
Só mesmo os feitos, ação!
Abaixo inócuo confeito,
Volátil discurso vão!
Quero fazer redondilhas,
Versos-monte fervorosos!
Não dizer, mas fazer Ilhas-
Vida em mares estrondosos!
—Todo o de essencial perdido
Em seu arregrar trivial,
Talhe bidimencional.
Rudo cismo: que sentido
Têm as palavras ao léu?
Que sentir, sentido, efeito;
De que me és de proveito
Folha chata de papel?
Marcos Satoru Kawanami
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