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sábado, 31 de janeiro de 2009
ao poeta concretista Mauricio Carneiro, e ao budista Domingos Pellegrini
Não lembro mais de idéias, mas de imagens;
imagens pinceladas na memória
da vida verdadeira e ilusória,
sem discernir o abstrato das passagens.
Mas a vida ilusória tem paragens
em que a mente compõe suas estórias
de carrascos, heróis e suas glórias;
enquanto que a verdade é só paisagem.
De modo que a ilusão é o pensamento
a formular esquemas sempre assim:
moldes toscos do arguto entendimento.
Errante na paisagem a que vim,
a vida verdadeira e seu intento
é eu não pensá-la e não pensar em mim.
Marcos Satoru Kawanami (árcade-parnasiano e católico)
.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
SONETO NACIONAL
Mapa do Brasil
feito por cartógrafo paulista------------>
SONETO NACIONAL
Nasceu lá no Ipiranga a pátria amada
de um povo bonachão e sempre plácido,
mas de brio resistente ao próprio ácido
gástrico a digerir a feijoada!
Fulguras, ó Brasil da caçoada,
qual um tendão-de-Aquiles cá da América;
porque, se primas na tragédia homérica,
tua comédia é a mais esculhambada!
Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
verás que um filho teu, se foge à luta,
o faz somente em nome da labuta;
e, ao fugir do batente até a morte,
canta mais alto seu canto guerreiro
na cadência a sambar, bem brasileiro...
Marcos Satoru Kawanami
| VOX POPULI: |
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A Águia, para o súdito romano,
foi símbolo de força, paz e guerra;
também nas plagas da Nova Inglaterra
ela é rainha sobre o ser humano.
No mesmo continente americano,
seguindo rumo ao sul, como quem erra,
Cabral foi venturoso ao dar na terra
do bicudo e pacífico Tucano.
Românticos tiveram no Condor
um ícone ideal e soberano
para expandir seu estro e bem se impor.
Caipira, aqui na roça, mais sincero
figura o masculismo sem engano
que tem a marcha gay do Quero-quero!
Marcos Satoru Kawanami (que não é gay)
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| VOX POPULI: |
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
FRÁGIL FORÇA DA FLORQuando, em campo de batalha,
no horizonte uma bandeira
é a flamejante mortalha
branca da nação inteira;
quando chega a derradeira
força da força que encalha,
e mais forte é a brincadeira,
e a farsante força falha;
só então tem-se a vitória
sobre toda servidão,
sobre uma tal força inglória
que uso mau faz da razão;
quando o beijo finda a história,
quando a flor vence o canhão.
Marcos Satoru Kawanami
.
| VOX POPULI: |
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
POR TODA A VIDA

POR TODA A VIDA
para Mário Quintana,
que (en)cantou a Infância
com a lira singela da ternura
Quando eu era pequenino
a falar comigo mesmo,
a viver ao léu, a esmo
na sem-razão de menino:
Felicidade era a minha!,
andando de braço dado,
fingindo ser namorado
de minha irmã caçulinha...
E os adultos que passavam,
da tolice que julgavam,
zombavam muito de mim.
Não sabiam, por cegueira,
que iriam a vida inteira
procurar algo assim.
Marcos Satoru Kawanami
| VOX POPULI: |
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
FRACTAL

FRACTAL
- soneto em alexandrinos -
(ao meu amigo pintor e matemático Artêmio Fonseca de Carvalho Filho)
A forma está presente em toda a natureza…;
inútil refutar tamanha onipresença,
meu caro modernista afeito à desavença,
que empunha o gládio em vez da lira (com certeza).
Poeta, no pós-tudo, até sem ter destreza
na rima amor com flor, e ninguém há que vença
ensinar-lhe o valor da antiga e firme crença
que o esmero, ao divinal fitar, propõe beleza.
A prova aí está, desponta na ciência
vitaminada, além ultra, que é chic e tal
— o zelo da razão é paz, sem penitência…
Em um minério ou bem em plantas de quintal,
em um soneto ou bem na gênese da essência:
a forma lá está, na equação de um Fractal.
Nhandeara, 21 de janeiro de 2009
Marcos Satoru Kawanami
.
| VOX POPULI: |
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
JACÓ E RAQUEL

JACÓ E RAQUEL
"Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia."
Sete anos pondo fé Jacó bebia
cachaça por Raquel, caipira bela;
mas não bebia só, e sim com ela,
porquanto embriagá-la pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
passava contentado na esparrela;
porém a moça, usando de cautela,
jamais se embriagava, só fingia.
Vendo o pinguço, assim, que com enganos
sempre escapava sóbria a sedutora,
pudicamente e nada doidivana,
despenca-se a beber outros sete anos,
dizendo: —Mais bebera se não fora
para tão grande amor... tão pouca cana!
Marcos Satoru Kawanami (caipira que não bebe álcool, só tererê)
| VOX POPULI: |
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
FUNERAL DA FILOSOFIA
FUNERAL DA FILOSOFIA
(polêmica aberta, sem pretensão acadêmica, apenas prosa-poética)
A Filosofia é pretensiosa e inútil.
É pretensiosa porque tenta explicar o Universo do qual o filósofo é reles criatura; e mais: tem a intensão de aperfeiçoar o mesmo Universo, o que implica em um absurdo: a criatura aperfeiçoar o criador.
Afirmo que a Filosofia é inútil: em que o ser humano hodierno é mais feliz que "Adão e Eva", alegoria da Humanidade pré-histórica? Vivíamos no Paraíso. Violou-se a "árvore da sabedoria", ou seja, passamos do raciocínio prático para a especulação científica. Vivemos a Civilização. E basta observar a troca de palavras para lamentarmos quão descomunal foi nosso prejuízo: antes Paraíso, agora Civilização. Antes tínhamos um Deus (ou divindades), agora queremos ser Deus e, sendo que nunca o seremos, perdemos o caminho e o guia.
Paradoxalmente, a Filosofia prova sua perversidade: deu-nos a Civilização para depois apontar toda a miséria das relações civilizadas.
Todo o conforto da Ciência não vale o Paraíso perdido. Tínhamos a suprema sabedoria de não pensar para além da nossa fome; hoje nossa estultícia criou uma fome insaciável: a vaidade da Transcendência.
Ao mesmo tempo que a Transcendência parece libertadora ao rejeitar qualquer dogmatismo e ao considerar o ser humano como um "projeto infinito", este ideal de seguir sempre o "além-do-homem" não tem fundamento. Teria fundamento se o mundo fosse eterno, mas nem nosso planeta nem o Universo são eternos; a Ciência mesma o diz: por mais que a tecnologia consiga aproveitar a energia do Universo a favor da vida, esta energia se esgotará em um equilíbrio estagnado e estéril. De modo que considerar o raciocínio como instrumento de "perpetuação da espécie" não faz sentido, pois não há o que se perpetuar, não há eternidade para a matéria viva. O raciocínio só é proveitoso quando promove a felicidade, ou seja, quando é usado para resolver problemas imediatos ao bem-estar fisiológico e afetivo. Assim, a Filosofia poderia satisfatoriamente limitar-se a pregar: achemos o que comer, e brinquemos igual crianças. Pensar além disso é buscar complicações artificiais e construir torres de Babel a embargar o caminho singelo da alegria. O ser humano tem o dom da consciência que o permite saber se é feliz; contemplar a felicidade é o melhor uso da consciência. Mas o fato é que a Civilização aí está com a dinâmica social de produção. E produz o quê? Produz inúmeras coisas, mas jamais produziu felicidade natural. Com certeza produz o vazio existencial, cada pessoa sendo transformada em peça da máquina econômica. Restou à consciêcia corromper-se: deixou de contemplar a felicidade que a Natureza lhe dava de graça, para lamentar a angústia que a Civilização lhe vende cobrando caro.
Contudo, só resta remediar o mal imperante; tentar reverter o processo civilizatório seria utopia: quem, por exemplo, se dispusesse a viver numa comunidade indígena autêntica, estaria à mercê da civilização predatória. No mais, onde quer que ele vá, o civilizado já vai contaminado por sua cultura. Como disse, resta remediar o mal; escarnecedoramente, um remédio é a própria Filosofia: do veneno se faz o antídoto. O outro remédio, mais forte e eficaz, ainda que compatível apenas com os privilegiados da Fé, são as religiões.
Mas, fora de qualquer religião, tenho fé na benfazeja indiferença à Civilização e seus problemas. Serei um pré-histórico. Convivendo com a Civilização por necessidade, usarei do raciocínio apenas para as necessidades que o meio exige. Aqui eu preparo um funeral, e os pensamentos abstratos acerca da condição humana são as flores murchas do passado que ofereço neste funeral: o Funeral da Filosofia.
Monções, SP, (sítio de minha tia Olézia), 6-dezembro-2001
Marcos Satoru Kawanami
PS: Ainda duvido da minha própria opinião no texto acima. Conforme a celebrada página do cancioneiro popular: "eu prefiro ser uma metamorfose ambulante". E discordem à vontade, pois cantarolo também outra página mais antiga do cancioneiro: "Falem mal, mas falem de mim; não faz mal, quero mesmo assim".
---Crédito da figura: Artêmio Fonseca de Carvalho Filho (Temito), 2 SITES:
http://www.arte4fun.hpg.com.br e http://www.artemiodesign.hpg.ig.com.br/index.html
domingo, 18 de janeiro de 2009
A VIDA NÃO É FILME
Sites do Artêmio:
http://www.arte4fun.hpg.com.br/home.html
http://www.artemiodesign.hpg.ig.com.br/index.html
A VIDA NÃO É FILME
ao amigo de minha infância, o pintor Artêmio Fonseca de Carvalho Filho
Quitou-me o romantismo esta verdade:
—A vida não é filme nem romance!—
Incauto o adolescente que se lance
a dar vaza ao Amor em tenra idade…
Mais vale bem-querer Sobriedade,
casta lira impassível ao alcance
da cupidez mundana que lhe avance
no esplendor da virgínea mocidade.
Não à toa os antigos, por costume,
prezavam a senil opinião,
que vivência e razão enfim resume.
Amor? Existe. Longe da paixão,
do romantismo e do carnal betume:
—Conjugo o verbo amar, sem transição.
Marcos Satoru Kawanami
...
