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| Orphans – Thomas Kennington 1885 Tate Gallery, London |
nasceu
um neném
nasceu
um neném
no
meio de tantos,
e
nasceu aos prantos,
nasceu
sem ninguém.
entrou
pela porta
sangrenta
do mundo;
num
sono profundo
a
mãe, está morta.
o
pai não é um,
o
pai são dezenas...;
nesta
noite amena,
o
pai é nenhum.
nasceu
com estrela,
menina
ou menino;
com
a lua a pino
sem
a mãe por vê-la.
passará
a vida
conforme
passamos,
pois
a morte herdamos
sem
outra saída.
sendo
adolescente,
sentirá
o amor,
seja
lá quem for,
como
toda gente.
terá
riso e choro,
mais
choro que riso,
pois
sempre é preciso
engrossar
o coro.
somente
de Deus
é a
gratuidade,
desta
qualidade
são
todos ateus.
e também
nasceu
na
mesma irmandade
a
estranha orfandade
que
agora nasceu.
no
nosso defeito
errará
legal,
é
norma normal
alguém
desse jeito.
e,
ao fim do pavio,
se
acaso envelheça,
se
o inverno conheça:
demência
senil...
mas
a vida é boa
no
eterno previsto,
se
buscamos Cristo;
não
é coisa à toa.
a
vida é sim boa;
pra
quem tem carinho
pra
dar no caminho,
o
caminho ecoa.
a
vida é o caminho,
a
verdade e a vida
em
fé prometida
no
pão e no vinho.
nascemos
na merda,
até
na orfandade;
a
calamidade,
quem
é que não herda?
a
bosta é sadia,
a
bosta é adubo,
sorri
mesmo ao cubo
quem
planta alegria.
nasceu
um neném,
pensei
verso triste;
mas
ninguém resiste
à
vida que vem.
e a
vida é tão boa
que
o mal se fez bem;
nasceu
um neném,
este
verso entoa!
marcos satoru kawanami

2 comentários :
Com certeza a vida é boa para aqueles
que tem o básico para as necessidades mas o
que sería esse básico?
Obrigada pela sua presença pela casa.
Abçs
Como é triste a vida para alguns...
reclamamos demais, amigo!
Precisamos do básico mesmo ,mas não entendemos bem isso...
bjo amigo escritor!
Boa semana!
www.elianedelacerda.com
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