domingo, 25 de agosto de 2019

NASCEU UM NENÉM

Orphans – Thomas Kennington 1885
Tate Gallery, London

nasceu um neném

nasceu um neném
no meio de tantos,
e nasceu aos prantos,
nasceu sem ninguém.

entrou pela porta
sangrenta do mundo;
num sono profundo
a mãe, está morta.

o pai não é um,
o pai são dezenas...;
nesta noite amena,
o pai é nenhum.

nasceu com estrela,
menina ou menino;
com a lua a pino
sem a mãe por vê-la.

passará a vida
conforme passamos,
pois a morte herdamos
sem outra saída.

sendo adolescente,
sentirá o amor,
seja lá quem for,
como toda gente.

terá riso e choro,
mais choro que riso,
pois sempre é preciso
engrossar o coro.

somente de Deus
é a gratuidade,
desta qualidade
são todos ateus.

e também nasceu
na mesma irmandade
a estranha orfandade
que agora nasceu.

no nosso defeito
errará legal,
é norma normal
alguém desse jeito.

e, ao fim do pavio,
se acaso envelheça,
se o inverno conheça:
demência senil...

mas a vida é boa
no eterno previsto,
se buscamos Cristo;
não é coisa à toa.

a vida é sim boa;
pra quem tem carinho
pra dar no caminho,
o caminho ecoa.

a vida é o caminho,
a verdade e a vida
em fé prometida
no pão e no vinho.

nascemos na merda,
até na orfandade;
a calamidade,
quem é que não herda?

a bosta é sadia,
a bosta é adubo,
sorri mesmo ao cubo
quem planta alegria.

nasceu um neném,
pensei verso triste;
mas ninguém resiste
à vida que vem.

e a vida é tão boa
que o mal se fez bem;
nasceu um neném,
este verso entoa!

marcos satoru kawanami

2 comentários :

A Casa Madeira disse...

Com certeza a vida é boa para aqueles
que tem o básico para as necessidades mas o
que sería esse básico?
Obrigada pela sua presença pela casa.
Abçs

www.elianedelacerda.com disse...

Como é triste a vida para alguns...
reclamamos demais, amigo!
Precisamos do básico mesmo ,mas não entendemos bem isso...
bjo amigo escritor!
Boa semana!
www.elianedelacerda.com