A maior quantidade de todas as
coisas
Anestesia e overdose,
Paralisia e psicose;
O sonho que atordoa,
O pesadelo que acolhe.
Farol que orienta solene
A embarcação ainda sem leme.
É o sobressalto do ânimo,
O acalanto perene.
É o medo que traz certeza,
Segurança sem agudez;
Insanidade que revigora
O equilíbrio e a sensatez.
Maternidade é substantivo
Para o inefável que diz;
Neologismo arcaico
Do que quase é, por um triz.
É o êxtase que aterroriza,
Pavor que faz desejar
Ser gigante, infalível
Em proteger e cuidar.
A mãe se culpa pelo acerto
De que mesmo tentando encontrar
Outros prazeres, delícias,
Afagos, fortunas, paixões,
Nada, no mundo inteiro,
Vai buscar ou trazer
Maior realização na vida
Que o êxtase do padecer.
Elga Arantes, 2019

2 comentários :
Talvez discorde desse poema... êxtase de padecer?
Acho que não... k mas fazer o que se é assim que o poeta o vê?
Aceitemos então k.
Bom final de mês.
Paz e Bem.
Janice,
Como disse Coelho Neto no soneto "ser mãe": "Ser mãe é padecer no paraíso.".
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