sexta-feira, 24 de maio de 2019

A maior quantidade de todas as coisas - Elga Arantes



A maior quantidade de todas as coisas

Anestesia e overdose,
Paralisia e psicose;
O sonho que atordoa,
O pesadelo que acolhe.

Farol que orienta solene
A embarcação ainda sem leme.
É o sobressalto do ânimo,
O acalanto perene.

É o medo que traz certeza,
Segurança sem agudez;
Insanidade que revigora
O equilíbrio e a sensatez.

Maternidade é substantivo
Para o inefável que diz;
Neologismo arcaico
Do que quase é, por um triz.

É o êxtase que aterroriza,
Pavor que faz desejar
Ser gigante, infalível
Em proteger e cuidar.

A mãe se culpa pelo acerto
De que mesmo tentando encontrar
Outros prazeres, delícias,
Afagos, fortunas, paixões,
Nada, no mundo inteiro,
Vai buscar ou trazer
Maior realização na vida
Que o êxtase do padecer.

Elga Arantes, 2019


2 comentários :

A Casa Madeira disse...

Talvez discorde desse poema... êxtase de padecer?
Acho que não... k mas fazer o que se é assim que o poeta o vê?
Aceitemos então k.
Bom final de mês.
Paz e Bem.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Janice,

Como disse Coelho Neto no soneto "ser mãe": "Ser mãe é padecer no paraíso.".