Capítulo
34
Cunegundes está entre os vivos.
Vi em outro filme de Ana Carolina uma
personagem confessar que tinha vergonha de desejar homem. Não sei por que, mas,
realmente, mulher que sai desejando adoidado, expressando e concretizando seus
desejos sexuais, acaba se dando mal ou se fodendo mesmo.
Minha senhora, nesse ponto, foi mais
venturosa. Desejava, apontava, e pronto. Era uma mulher
muito viva.
Cunegundes está entre os vivos.
Eu estava assistindo ao telejornal da
meia-noite, quando o presidente Temer apareceu numa reportagem. Senti um
calafrio, e fui fechar a janela. Soltei um puta peido!, com caldinho e tudo.
Era Temer na janela, mostrando os dentes caninos; tinha se transformado em
vampiro. Percebendo meu cagaço, disse ele: “Minha vingança sará malígrina!”, e
deu uma cuspidela para o lado. Era um vampiro brasileiro.
Estando eu paralisado de horror,
Vampiro Temer atravessou a parede, e créu, mordeu meu pescoço.
Minha porção mulher veio à tona com tal
mordida tão bem dada.
Senti enjoo e cólica menstrual, mas
senti fúria de TPM, eram os hormônios se rebelando. Pelos enormes nasceram em
todo o meu corpo, minhas unhas viraram garras, meus dentes viraram presas. Eu
virei lobisomem.
Comi a minha vizinha.
Mas, quando a caguei, ela se
transformou num zumbi. O ciclo se completara. Zumbis mordiam gente, que viravam
vampiros, que mordiam gente, que viravam lobisomens, que comiam gente, que eram
cagadas zumbis!
Juntei-me à horda de monstros, e saí
comendo gente até encontrar Cunegundes, que foi a zumbi mãe de tudo aquilo.
Soube então que Afrodite roubara uma
retroescavadeira, e, cavocando no cemitério, libertara Cunegundes dos ínferos.
Agora eu posso dizer: Sou feio, mas tô
na moda.
E nossa vingança será maligna! Você aí
que me lê, tome esses escritos como advertência. Na próxima lua-cheia ou na
próxima lua-nova, quando você sentir um calafrio no espinhaço, é nóis na fita.
E créu.
Sinal dos tempos, nossa horda disforme
invadirá cada buraquinho deste mundo decrépito a fim de dar aos viventes a
própria feição da desgraça em que têm vivido sua libertinagem. E créu.
Vai vendo, vai vendo.
Isto posto, ponho o ponto final.
Epílogo
A propósito da Literatura Sanitarista
referida nos anteriormentes deste livro, segue abaixo um soneto escrito nos
conformes dessa estética, para livre divulgação latrinas do mundo afora:
FLATO VERÍDICO
O peido sai da
peida, e é um gás
translúcido, odorífico,
butano
mesclado com
partículas do humano
cocô, e vem daí o
seu cartaz.
O peido é igual a
filho, só quem faz
aguenta. Digo bem e
sem engano,
pois peido é sobre a
gente soberano,
e, às vezes, é
questão de guerra e paz.
Falar como se a boca
fosse o cu
apraz quem
reconhece, na humildade,
a leda condição de
ser jacu.
Mas, tendo o erudito
a tal vontade,
irá peidar, e, aí, o
deixo nu,
despido de qualquer
vã veleidade.
Nhandeara, 9 de
novembro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami
não continua sábado


Um comentário :
Acabou bem no fim. Que coisa! Rs...
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