Capítulo
31
Tenho dois CDs do compositor e cantor
cearense Falcão, gosto das músicas dele, do humor, do estilo e da crítica. Um
dos CDs leva o título da canção A
besteira é a base da sabedoria. Frase espirituosa, e, de certa maneira,
certa, certeira e com certidão de verdade. Sim, pois, quando fazemos uma
besteira, é porque erramos, e é errando que se aprende.
Ocorre-me assim este corolário: A
ignorância é a base da sabedoria.
Nem sempre erramos por ignorância, mas
esta colabora bastante com o erro. Escatologicamente falando, quem conhece a
verdade não erra, a não ser que goste do erro, goste do mal.
Todavia, a ignorância é a base da
sabedoria uma vez que move, pela insatisfação, à vontade de conhecimento, seja
por necessidade legítima, seja por curiosidade desnecessária. Constatada a
ignorância, somos movidos a dissipá-la por meio de suposições e experiências.
Após conhecer o que antes se ignorava, muitas vezes surge uma nova ignorância a
ser superada, e assim por diante.
De modo que a ignorância é a base da
sabedoria, e, quanto mais se ignora, mais se conhece.
Não, porque ciência não significa
sabedoria. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pensa bem.
Sabedoria é mais próxima do bom-senso cumulado de vivência, enquanto ciência
está mais próxima da técnica e do conhecimento.
Logo, o corolário corrigido fica: A
ignorância é a base da ciência.
Já a base da sabedoria é o bom-senso.
Mesmo porque, onde se despreza o bom-senso, inexiste sabedoria. Bem e mal
novamente duelam; quero acreditar que o bom-senso busque o bem, e o bem ame a
verdade.
Mas, como não dou um peido pelo meu
bom-senso nem merda nenhuma pelo meu conhecimento, tenho o costume de fazer
besteira. Mas, se a besteira é a base da sabedoria, estou pregado na base.
O jeito é estudar a fim de adquirir
bom-senso. Quem estuda sem adquirir bom-senso gosta da coisa torta, de
perseverar no erro. A intuição tropeça fazendo besteira, e aciona um alarme
retumbante: Olha, tu te esqueceste da Moral Natural!
Para quem não possui Moral Natural, ela
não faz sentido; mas advirto que até os animais a têm. Vi um vídeo em que uma
onça mata uma macaca a fim de devorá-la; nisso, repara que apegado à macaca
está um filhote; então, a onça cata delicadamente o macaquinho, e pousa-o num
galho de árvore; a onça, perdendo o apetite, deixa o local e o cadáver que
devoraria. Isso é Moral Natural.
Quanto ser humano não tem tal bom-senso
instintivo, quanta gente, talvez por não ter alma, é inferior a uma besta fera.
Dá pena e asco ao mesmo tempo.
Seria possível ao ser humano não ter
alma? Parece que considerável parcela da Humanidade, por não ter alma, está
nesta vida como que figurantes ou robôs, gente que é só matéria, tipo um tubo
de ensaio onde uma reação química se desencadeia sem a interferência de uma
vontade própria. Os desalmados aparentam vontade, mas ali não reside
consciência volitiva.
continua sábado...
"Cuidar muito da saúde é doença."
(Olavo de Carvalho)
"Cuidar muito da saúde é doença."
(Olavo de Carvalho)

Um comentário :
Esse vídeo da onça e o macaco tbm vi. Vi outros ainda semelhantes com outros animais. É quase inacreditável, porém é bem raro.
Bjo 💋
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