sábado, 19 de janeiro de 2019

METAFÍSICA DO PEIDO - capítulo 31



Capítulo 31

         Tenho dois CDs do compositor e cantor cearense Falcão, gosto das músicas dele, do humor, do estilo e da crítica. Um dos CDs leva o título da canção A besteira é a base da sabedoria. Frase espirituosa, e, de certa maneira, certa, certeira e com certidão de verdade. Sim, pois, quando fazemos uma besteira, é porque erramos, e é errando que se aprende.
         Ocorre-me assim este corolário: A ignorância é a base da sabedoria.
         Nem sempre erramos por ignorância, mas esta colabora bastante com o erro. Escatologicamente falando, quem conhece a verdade não erra, a não ser que goste do erro, goste do mal.
         Todavia, a ignorância é a base da sabedoria uma vez que move, pela insatisfação, à vontade de conhecimento, seja por necessidade legítima, seja por curiosidade desnecessária. Constatada a ignorância, somos movidos a dissipá-la por meio de suposições e experiências. Após conhecer o que antes se ignorava, muitas vezes surge uma nova ignorância a ser superada, e assim por diante.
         De modo que a ignorância é a base da sabedoria, e, quanto mais se ignora, mais se conhece.
         Não, porque ciência não significa sabedoria. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pensa bem. Sabedoria é mais próxima do bom-senso cumulado de vivência, enquanto ciência está mais próxima da técnica e do conhecimento.
         Logo, o corolário corrigido fica: A ignorância é a base da ciência.
         Já a base da sabedoria é o bom-senso. Mesmo porque, onde se despreza o bom-senso, inexiste sabedoria. Bem e mal novamente duelam; quero acreditar que o bom-senso busque o bem, e o bem ame a verdade.
         Mas, como não dou um peido pelo meu bom-senso nem merda nenhuma pelo meu conhecimento, tenho o costume de fazer besteira. Mas, se a besteira é a base da sabedoria, estou pregado na base.
         O jeito é estudar a fim de adquirir bom-senso. Quem estuda sem adquirir bom-senso gosta da coisa torta, de perseverar no erro. A intuição tropeça fazendo besteira, e aciona um alarme retumbante: Olha, tu te esqueceste da Moral Natural!
         Para quem não possui Moral Natural, ela não faz sentido; mas advirto que até os animais a têm. Vi um vídeo em que uma onça mata uma macaca a fim de devorá-la; nisso, repara que apegado à macaca está um filhote; então, a onça cata delicadamente o macaquinho, e pousa-o num galho de árvore; a onça, perdendo o apetite, deixa o local e o cadáver que devoraria. Isso é Moral Natural.
         Quanto ser humano não tem tal bom-senso instintivo, quanta gente, talvez por não ter alma, é inferior a uma besta fera. Dá pena e asco ao mesmo tempo.
         Seria possível ao ser humano não ter alma? Parece que considerável parcela da Humanidade, por não ter alma, está nesta vida como que figurantes ou robôs, gente que é só matéria, tipo um tubo de ensaio onde uma reação química se desencadeia sem a interferência de uma vontade própria. Os desalmados aparentam vontade, mas ali não reside consciência volitiva.

continua sábado...

"Cuidar muito da saúde é doença."
(Olavo de Carvalho)

Um comentário :

Meri Pellens disse...

Esse vídeo da onça e o macaco tbm vi. Vi outros ainda semelhantes com outros animais. É quase inacreditável, porém é bem raro.
Bjo 💋