sábado, 12 de janeiro de 2019

METAFÍSICA DO PEIDO - capítulo 30



Capítulo 30

         Peido inoculado em pneumáticos foi a tecnologia que desenvolvi, modéstia à parte. Sim, a tecnologia tem seu lado bom. Fato que me leva a ponderar sobre os lados das coisas. Que lado é melhor: o lado de fora ou o lado de dentro? O que seria melhor: admirar a beleza exterior, ou penetrar na beleza interior?
         Para um condenado preso, o lado de fora é melhor. Quanto à beleza, normalmente penetrar na beleza interior depende de se admirar a beleza exterior. Na dúvida, foda-se.
         A tecnologia tem seu lado bom, mas tem muito seu lado mau. Pelo andar da carruagem, a carruagem já virou carro, o carro virou avião, e o avião virou espaçonave. A espaçonave virará teletransporte. Nisso, já inventei tecnologia de ponta, pois peido será sempre peido, é flato consumado.
         Um dos lados maus da tecnologia é a gente ficar na mão dela, coisa que já acontece. Mas, e se nossas vidas dependerem totalmente da tecnologia? Louvada seja a policultura agronômica e também o selo orgânico. Ou seja, Deus tinha razão. E vivemos no melhor dos mundos possíveis, concordando veementemente com o Dr. Pangloss.
         No entanto, querem colonizar Marte. É. Disfarça, digo nada.
         Mas, se eu não fosse eu, seria o quê? Você, se não fosse você, seria o quê? Não seríamos, de modo geral. A consciência é o dedo que interfere movendo ou parando uma fileira de dominós que se derrubam. Se não tivéssemos consciência, ainda que pudéssemos aparentar consciência de nossa própria existência, não a teríamos. O fator externo ao corpo é a alma, e por ela temos consciência, pela alma somos.
         Logo, se eu não fosse eu, simplesmente não seria. E, se minha mãe fosse homem, eu teria dois pais. O que me leva a um problema infinitamente complexo: se o peido não fosse o peido, o que seria?
         Se Deus é onipotente, poderia criar uma cadeira em que não pudesse Se sentar? Ou não é onipotente? Ora, se Deus nos concedeu sabiamente o livre-arbítrio, Ele quis não ser onipotente.
         Que graça haveria em ser onipotente?
         Criar a Criação foi um ato de amor. Contar com a colaboração das criaturas significa que o Criador não quer ser autossuficiente, não quer a solidão. Quem quer companhia quer amigos, quem quer amigos quer amar e ser amado. Por isso Deus ama. Por isso Deus quer que o amemos. Por isso existe o drama da entrada do pecado no mundo.
         E o peido há de possuir sua finalidade também. Que é encher pneu. Minha colaboração no drama da existência foi aplicar cientificamente o peido, direcionando-o introspectivamente por meio da tecnologia rumo ao interior do pneu, na direção oposta ao meu interior extrovertido. Senão, vejamos: a cada ação, corresponde uma reação de igual intensidade em sentido contrário.
         Se ninguém concorda comigo, Isaac Newton concorda.
         E basta.

continua sábado...


"quando come osso,
todo bassê faz um troço
branco, duro e grosso."
(Glauco Mattoso)



Um comentário :

Meri Pellens disse...

Todas essas análises deram um nó no meu cérebro. Mas no próprio texto encontrei a solução: "Na dúvida, foda-se!" rs...
Bjo 💋