sábado, 15 de setembro de 2018

METAFÍSICA DO PEIDO - Capítulo 13




Capítulo 13

         Há sérias divergências entre anatomistas e teólogos a respeito do peido. Será que o peido foi a última tentativa de Deus para ver se o cu falava? Será que o peido foi criado desde priscas eras com a finalidade única de plantar o pomo da discórdia no elevador? Não sei, eu sou ignorante, já disse.
         Mas o chulé cumpre sua função natural. A propósito, também gosto do meu chulé, e era divino o chulezinho de Cunegundes. O pé feminino é venerado por muitos, nisso não causo espécie; mas gosto do chulé se o pé é bonito. O chulé cumpre seu papel natural, por exemplo, nos cachorros; quem não gosta de cachorro certamente nunca experimentou o chulé canino, e mantenho um pé atrás em relação a quem não gosta de cachorro. Se na sociedade humana o chulé já não tem função alguma, no cachorro o chulé vai espalhando seu odor no chão por onde ele passa, somando-se a isso o seu olfato sensível resulta um mecanismo que lhe facilita a volta a casa.
         Posso não gostar do chulé de algumas pessoas, mas é unânime o favor que o chulé de qualquer cão provoca em mim. O chulé canino tem cheiro de charuto, charuto de boa qualidade. E tanta gente odeia charuto... Por que será? É coisa que não entra nos meus miolos.
         Entra, mas a custo. O que entra a custo causa uma sensação de conforto depois que entra. Por exemplo a questão de o peido ser a última tentativa de Deus para ver se o cu falava. Uma vez comprovada essa hipótese, comprova-se a existência de Deus.
         Bem, não é por aí. Quem duvidar da existência de Deus, é só ler o primeiro capítulo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino, em que não há apenas uma prova, mas cinco provas da existência de Deus.
         Meu nono filho, José Lindo Rêgo (maldito escrivão do cartório em que o registrei) professa a fé ateia de maneira exemplar, é santo sendo ateu, assim como há muito crente encapetado. No curso de primeira comunhão, a catequista lhe perguntou se ele amava a Deus, ao que ele respondeu: “Não sei, nunca o vi andando por aí, nunca me foi apresentado pessoalmente.”. E não houve argumento que o convertesse. No entanto foi o que menos pecou durante sua criação, e é bom homem até hoje. Eis o mistério da fé.
         Já minha filha Tieta chegou a ser noviça, comungava todos os dias e fazia jejum todas as sextas-feiras, aplicava-se a “disciplina” inclusive; mas, quando chegou a hora de fazer os votos perpétuos, Perpétua, nossa vizinha, a levou no terreiro Filhos da Jurema a fim de fazer uma sessão de descarrego antes de ingressar em tão severa jornada. Baixou a pomba-gira em minha filha. Hoje leciona História, é filiada a uma organização de esquerda, e dá consulta como mãe-de-santo na Baixada Fluminense.
Onde foi que eu errei?
         Somos resultado da genética e do meio ambiente; quem sai aos seus não degenera; casa teu filho com seu igual, e de ti não dirão mal; mas mania feia e desencaminhamento na vida acontece nas melhores famílias.
         Oh dó.

continua sábado...


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