ledo lírio
há dias tenho febre e nada como,
guardado no meu claustro de abandono,
e penso que morri durante o sono,
sonhando entre o cipreste e o
cinamomo.
deliro, delirando provo o pomo
dulcíssimo da morte, e a morte
entrono
flertando com o mal, porém meu dono
restaura-me no bem, pois ecce homo.
não faz sentido algum morrer assim,
pecando mesmo até num vão delírio,
findando em desrazão ao ter um fim.
então, a Cristo entrego o ledo lírio
da vida que não mais pertence a mim,
querendo o abraço amigo do martírio.
marcos satoru kawanami
