sábado, 9 de dezembro de 2017

O PARTO



O PARTO

De que poema vi nascer, um dia,
a musa que abstraiu-me para si?,
de que poema que eu não escrevi?,
mas no qual a escrevê-lo ela me urgia.

Dizendo assim, parece poesia
— acaso é mesmo o que se assenta aqui —,
mas o efeito de muita parati
resulta em fato que eu desprevenia.

Resulta num poema à musa antiga
que dele vem nascendo até agora,
e, a fim de o escrever, foi minha amiga.

No próprio nascimento colabora
a musa, que, ao nascer, inda me obriga
a um derradeiro verso, e vai embora.


Marcos Satoru Kawanami



obs: parati é sinônimo de cachaça; a cidade de Parati é um importante polo produtor da bebida desde o tempo do Brasil colônia.

3 comentários :

Elyane Lacerdda disse...

Amigo,
não importa que vá embora,
o que mais nos importa é a razão do poema, soneto ou conto,
a musa que fez surgir a inspiração!
Que passe, mas deixe lembranças poéticas sempre!
http://www.elianedelacerda.com

Andreia Morais disse...

Belíssimo poema!

r: É mesmo :)

manuela baptista disse...

estive um dia em Parati

muito bonito, como o seu poema


um abraço, Marcos