PRISÃO DE VENTO
Em meio ao meu barulho interior,
lá fora nada, nada, nada, nada,
e escuridão, que até alma penada
omite-se, o vazio lhe dá pavor.
Não tarda a morte, chego eu a supor
em ânsia derradeira; a madrugada
ergue sanguíneos dedos de alvorada
alcançando o meu último estupor.
Porém, golfando, espirro uma aspirina
nos olhos do doutor já sonolento,
que acorda dando viva à Medicina.
Por pouco vou-me à cova, e não
aguento
lembrar que até um padre de batina
via eu morrer só de prisão de vento!
Marcos Satoru Kawanami

Um comentário :
Amigo poeta,
muito inteligente e irônico seu poema!
Como sempre vc é demais!!!!!
http://www.elianedelacerda.com
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