ALGUM SONETO
Até sisuda aurora
revogando
razões da sem razão que abunda bela,
absteve-se não ele
nem aquela
por quem estavam todos esperando.
Ao passo que
relembra a noite quando
beijou das bocas dela a que é banguela
vertendo das ideias
na tigela
um verso que não
este, mas quejando.
Assim os dois
estavam proseando
conforme o bom
costume tagarela,
enquanto a dita
aurora foi chegando.
E agora algum soneto nos revela,
com tintas
carregadas estampando,
a noite sem bocejo e
sem remela.
Marcos Satoru Kawanami

5 comentários :
Muito engraçado e belo este soneto.
Por entre os trabalhos na praia vou lendo e saboreando lentamente "Sputnik, Meu Amor", de Haruki Murakami, que você deve conhecer bem!
As estações do ano por aqui também já não são diferenciadas, como antigamente. Agora estamos no verão e, por acaso, está fazendo mesmo muito calor! Fugimos para o nosso refúgio junto ao mar, fresco nesta época e muito agradável nos fins de semana de inverno.
Um abraço
Proseando ate a aurora chegar...tempo bom em que fazia isso... passando a noite sem bocejo...
De uns tempos pra cá as noites têm sido repletas de bocejos e proseio com meus sonhos - que não me lembro. Ou seja...
Há sempre o risco de se perder o que se espera por conta da tagarelice, porém em boa companhia fica difícil esperar quieto, não é?
Bjk e abençoada semana!
Parece que é difícil a bocejar quando a noite é gasto em muito bom Companyia e sonetos ... o que é noite, o que é dia?
Adorável, como de costume,
beijos
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