PAPEL
Papel: palavra para
que se guarde
palavra e mais
palavra, num fichário,
num livro, num
caderno, num armário,
a fim de ser palavra
até mais tarde.
Papel, prensada
celulose, aguarde,
no lixo reciclável,
rumo vário,
pois tem a sua força
em ser precário,
nascendo novamente,
se não arde.
Quem sou: palavra
para que se leia
quem sou agora, só
que no futuro,
pois nunca existe
agora, agora creia.
Quem sou, creio?, já
cri, e ainda juro
que não devo jurar,
o juro enleia
quem deve, e,
devedor, não quero apuro.
Nhandeara, 7 de
novembro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami

4 comentários :
シ
Já foi árvore, agora... uma vez papel, sempre papel!...
Bom fim de semana com tudo de bom!!!
Beijinhos.
✿˚° ·.
Realmente a palavra renascerá sempre de uma nova forma, de cada vez que é lida, se o papel não arder...Tal como o papel será reciclado também se não arder.
E o futuro é sempre e apenas o agora.
Excelente meu caro! :-)
Bom fim de semana, Marcos!
xx
Muito pertinente e atual teu soneto, ecooooo... logica(mente) correto! Muito bem feito e inteligente, como é próprio do soneto, esmerada construção e acabamento. Gostei, abraços!
lindo poema, Marquitos!
metapalavras q lavras a nós e em nós, como tatuagem, para guardar...
beso
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