SOFRÊNCIA
Eu via, à beira do
riacho fundo,
o quanto nada vejo
do que sou,
o quanto apenas vejo
o que passou,
o quanto é cego meu
andar no mundo.
Estranho enlevo de
um meditabundo
enleva o estranho
ritmo no qual vou
chegando no lugar
que não chegou,
estando à beira do
riacho fundo.
Porquanto um tal
riacho não existe
naquela profundeza
que eu sentia
a tarde enluarada em
que partiste.
E é tarde enluarada
todo dia
que nasce desde
quando um mundo triste,
à beira do riacho
fundo, eu via.
Nhandeara, 13 de
outubro de 2015
Marcos Satoru
Kawanami

4 comentários :
Muito bom Marcos! Mas vamos fazer desse mundo triste, feliz! Adorei o poema.
Beijo e boa semana
http://mylife-rapha.blogspot.com
O amor é triste na maioria do tempo, é uma utopia, um suspirar frequente, uma agonia. Abraços, Marcos.
"Estranho enlevo de um meditabundo". O melhor é saber que há tarde enluarada todos os dias para a fantasia de um "eu sozinho"
Grande abraço, Marcos!
Excelente soneto, Marcos!
A tarde pode ser enluarada, mas os riachos podem ser tão fundos!
Maravilha!
xx
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