Ainda que nós
fôssemos nós dois,
ainda que o planeta
fosse chato,
ainda que cachorro
fosse gato,
ainda que se desse nome aos bois:
Eu gosto de comer feijão
e arroz,
farinha de mandioca é no meu prato,
e, pra mais aumentar o nosso hiato,
não deixo nem um
pouco a ver depois.
Mas eis que os dois
de nós não são mais um,
porém somos mais uns
na multidão
dos séculos
perdidos, tão comuns...
E, enquanto tu és
gata, eu sou um cão
caindo do planeta
sem nenhum
receio de marchar na
contramão.
Nhandeara, 17 de
julho de 2015
Marcos Satoru
Kawanami

5 comentários :
Somos tao comuns... e tao especiais... vai se entender...
Um petrarquiano perfeito, versos tão musicais que encantam a alma. Parabéns e bom domingo.
Amigo,
como sempre vc arrasa em seus poemas!
Mas os opostos se atraem...e como !!!!!!
mas depois temos que pagar pelas escolhas,
e aí o bicho pega,amigo!!!!!
Bjo e lindo domingo!
http://www.elianedelacerda.com
Nada de comum, sempre especial.
Linda poesia, gostei em particular.
Beijinhos
So good. Soneto filosófico.
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