CARAVANA
Eu
sei que não saber não dá ciência,
a
mim, do que não sei, sabendo ou não,
de
tudo que, com lógica e razão,
conheço
e sei que sei, por evidência.
Conduz-me
tosca mão, rapaz prudência,
contudo,
se é o saber a devoção
à
qual, estulto, entrego o coração
no
torpe turbilhão das aparências...
Pondero
que não há que mais saber,
nem
houve nunca, desde aquele pomo,
que
vem se deglutindo sem querer.
A
bem desses milênios, quê hoje somos
além
de caravana a percorrer
o
espaço numa busca do que fomos?
Marcos
Satoru Kawanami
4 comentários :
Sabemos algo?
E continuaremos apenas e sempre a ser essa caravana que busca infinitamente.
xx
pois é, poeta, incessantes...
tua rima lembrou a minha:
(...)
pois que ao dia julga-se o cansaço
das horas rasas do que somos
mas somente à noite tem-se a prova
da visível massa do que fomos
bjo
Estultice em mim
Eu não sei que saber dá ciência boa,
O que sei não vale um tostão furado,
Meu saber desliza para o nada a toa,
Sapiência é somente um cu apertado.
Talvez seja qualidade a minha burrice
Que carrego neste mundo aborrecido
Apedeuta, em mim profunda estultice
Que conspícua e humilhante tem sido.
Como mais aprender, não tenho ideia
De todos que conheço fico pois atrás
Nunca o palco, meu lugar é na plateia.
Essa burrice em mim é total, contumaz
Se algum dia, o saber em mim estreia
Nem imagino do que poderei ser capaz.
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