ALMA
E MORAL
Ao se observar a matéria, notamos
facilmente que esta é animada, movendo-se macro e microscopicamente amiúde.
Donde vem a questão do que animaria a matéria, o que seria e como seria a sua
alma. Um aparato que exemplifica o ânimo da matéria pode ser o da fileira de
dominós derrubando uns aos outros em seqüência: A matéria é animada pela lei de
causa e efeito.
A consciência e vontade própria, que são
capazes de transgredir a lei de causa e efeito da matéria bruta, desassociam a
alma do vivente da matéria. Senão agiríamos sem saber, sem autocrítica,
agiríamos como uma reação química ou uma pedra caindo sem dar conta do que
estaríamos fazendo, à semelhança de um protozoário. Poderíamos parecer ter
consciência a quem nos visse, mas nós mesmo não sentiríamos tal consciência, não sentiríamos nada, nem
os 5 sentidos sentiríamos, apesar de que estaríamos parecendo senti-los.
Quando surgem a piedade, a condolência,
o Amor enfim, a alma desassociada da matéria é Sentimento, é a Boa-Vontade, é o
Verbo: imagem e semelhança de Deus.
A ética racionaliza causa e efeito de
modo a regrar comportamentos em proveito do conjunto e do indivíduo, sem
altruísmo, sem santificação, sem sentimento. Reduz o vivente a matéria bruta,
ou, quando muito, a uma fera domada.
Já a moral considera a alma dissociada
da matéria, percebe a sutileza que passa batida aos olhares brutos, reconhece
que o vivente não é um efeito dominó sem consciência. É a moral, e não a ética,
que leva Cristo a se entregar exangue na cruz, é a moral que faz os mártires de
todos os tempos e civilizações. É da moral que o Diabo tem medo, porque a moral
não se submete à matéria, ao poder econômico e ao poder político. É a moral que
contraria os preceitos dos escribas e fariseus. É a moral que não se corrompe
por dinheiro nem retrocede por medo da morte e da dor.
Nhandeara, 8 de abril de 2012
Marcos Satoru Kawanami
No
princípio, era o Verbo...
O
ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar
diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de
uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e
vontades fisiológicas cerebrais, a Origem é uma Vontade sem ato precedente
(vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e
vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem
fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
Do contrário, o funcionamento cerebral
seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a
partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à
semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo
seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente
descartado do Mundo Material. E, mesmo que o Universo fosse um moto-perpétuo, teria entrado em andamento sem uma causa, sem algo precedente ao Universo que o colocasse em andamento? Teria, então, a matéria, e seu movimento também, se auto criado do nada?
“No princípio era o Verbo, e o Verbo
estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem
ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São
João.
Nhandeara, 27 de novembro de 2010
Marcos Satoru Kawanami
Neste ano de 2012,
o Jornal Nacional anunciou a criação de um tipo de DNA sintético com estrutura
diferente do natural, levantando novamente a possibilidade de seres vivos
alheios ao nosso planeta, o que reforça a tese de que a vontade é absoluta, e
as manifestações de uma mesma vontade são convencionais. (25 de abril de 2012)


2 comentários :
Eu acho que todos nós nos comportamos tantas vezes como meros protozoários, sem saber de alma ou de moral....O sentimento , a boa vontade, aquilo que eu chamo de Bem, será para ti o Verbo e Deus, para mim é o supremo valor humano que pode existir independentemente da existência de Deus.
Concepções diferentes...:-)
xx
já viu Horton e o mundo dos quem?
o tema, q eu adoro, me fez lembrar..
bjo
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