ALBERGUE
Eu vi, e, quando vi, eu vi bem cego;
não vendo, foi que eu vi melhor meu ser,
o cego que era cego por não crer
que quem se nega a ver é o pior cego.
Eu era magricelo feito um prego,
e tinha uma cabeça pra bater
martelo, que era dura, hoje ao meu ver
de quem enxerga bem que fora cego.
Enxergo, por exemplo, que ora enxergo,
ora não, e ora tudo é embaçado
no mundo em que não quebro, mas envergo.
Se tudo se apresenta embaralhado,
procuro a ordem, sob a qual me albergo,
e que me albergará, enfim, quebrado.
Nhandeara, 13 de abril de 2014
Marcos Satoru Kawanami
7 comentários :
Adorei a descrição dessa tua suposta cegueira, e cegos somos todos nós por tantas vezes não querermos ver.
Contudo quando começamos a enxergar poderemos começar a ver tudo tão complicado....;-)
Esse filme é visualmente muito belo.
xx
Laura,
Sim, o filme é visualmente belo. Logo no começo aparece uma vassoura idêntica a que ainda usamos aqui, e que meu avô fazia. Quando criança, passei um dia fazendo vassoura da planta de vassoura com ele. Meu avô também fazia peneira e balaio, este último é o mais difícil.
Gostei do filme, porque explica didaticamente um pouco da vida quotidiana do povo normal na Idade Média.
E nunca estive cego, foi no sentido figurado mesmo.
xx
Olhar e não ver, ser cego e ver.
A vida é feita destas subjetividades.
Gostei muito.
Onde te posso seguir?
beijo
"Pensar é estar doente dos olhos"
Pérola,
A subjetividade ainda vai me subjetivar.
=D
Marcos
Fábio,
A gente pensa por instinto, por isso acho que é bom a gente pensar bem antes de pensar de um jeito ou de outro.
=D
Marcos
Demais!!! Adoro teus sonetos, amigo!
Beijão.
M.P.
Postar um comentário