
Soneto pós-moderno do adeus definitivo
A névoa do silêncio é tão densa
que sinto o triz do adeus definitivo.
Minhas palavras morrem na sentença:
-Morri, adeus, não salve meu arquivo!
Deletar a saudade, tua presença,
é pôr no coração vácuo afetivo.
A razão corrobora e inda me imprensa:
-Morreu, adeus, o morto cinge o vivo!
Se não há par, irei salvar-me como?
Vivente, eu me formato como morta
e ponho uma redoma em torno à dor.
Emprestado do breu o luto eu tomo
e faço uma incisão em minha aorta.
Teclas líricas morrem. Adeus, amor!
Rita Moutinho
.
6 comentários :
Gostei desse poema. Lembrei-me do Pequeno Principe neste trecho: "[..] e ponho uma redoma em torno à dor."
Ele colocava um redoma em torno de sua flor.
Abraços, Eloisa!
Elô,
Eu lembro desse trecho. Faz mais de 20 anos que li esse livro!
Minha memória é boa: lembro de tudo o que me recordo. haha
=D
Marcos
Haha, lembro de tudo que recordo é ótima!
Se eu começar a ler o livro de novo nesse fim de semana vai para a quarta vez que o leio. Eu adoro ele, é cativante. Me sinto melhor ao lê-lo! hihi :)
Elô,
Pena que o filme não tenha saído tão bom quanto o livro.
Dizem que alguns silêncios são ensurdecedores.
E o pior é que é verdade.
Não cheguei a ver o filme Marcos!
mas geralmente é assim, o filme nunca fica tão bom quanto o livro. mas deve ser porque no livro voce tem livre interpretação, no filme não é tão livre assim! eu acho..
Abraços!
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