sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

alheio ao cérebro

Catedral - Artêmio Fonseca de Carvalho Filho


alheio ao cérebro

de tudo quanto guardo na memória,
alheia-me do cérebro a mais viva
vivência, transcorrida na instintiva
idade de uma mente extracorpórea.

depois, em profusão de copa arbórea,
neurais sinapses, tino que nos criva
na cruz da nossa humana e purgativa
jornada até que venha o fim da história.

por isso tenho apreço a fase dantes,
a fase do ideal que permanece,
a fase consistente e mais constante.

e, após a copa arbórea que perece,
revele-se ela tão dessemelhante
na vida que de crivos não padece.


marcos satoru kawanami