domingo, 14 de maio de 2017

CAGAÇO


CAGAÇO

O grilo estava ali, achando bom
fazer dentro do lixo cantoria;
acústica legal, muita alegria,
mas, de repente, veio o detefon.

Veneno é coisa que intervém no som...,
aquele rosto meigo que sorria,
agora, dá soluços de agonia,
fazendo seu cricri fora do tom.

Eu sou o mesmo grilo em forma humana,
cantando neste lixo ao qual me abraço,
e o lixo, desse modo, em mim se ufana.

Entanto, se por graça não me engraço,
que seja o detefon minha profana,
ignóbil conversão, pelo cagaço.


Marcos Satoru Kawanami


6 comentários :

manuela baptista disse...

um grilo falante, a nossa consciência com um pouco de medo, apenas


um abraço, Marcos

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Oi Marcos, tu és um gênio versejador! Eu que pensava saber fazer versos, ao chegar no teu espaço me senti humilhado diante da verve do amigo. Parabéns! És o maior versejador que conheço. Eu acho Bocage um dos maiores sonetistas depois de Camões e Petrarca e quando te li, te comparei a ele pela irreverência e a precisão na métrica e rima (substantivo com verbos etc - jamais verbo com verbo ou ão com ão). Fiquei de queijo caído, amigo. Se tivesses uma alma de poeta, serias um dos maiores poetas vivos. Eu também sei fazer versos mas não tenho alma de poeta - é aquela - Deus dá asas a quem não sabe voar. Se bem que tu pareces jovem e poderás chegar a moldar teu espírito, enquanto eu já estou a dobrar o cabo da esperança. Foi um prazer enorme ver os teus versos - e olha que fucei bastante. Grande abraço. Laerte.

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Marco - um mea culpa! Depois que postei meu elogio, arrependi-me por estar a catalogar alguém - não tenho esse direito. Talvez sejas realmente um grande poeta, na tua irreverência, tipo Bocage. Eu é que me sinto um versejador e me auto denomino um engenheiro construtor de versos por estar a resgatar as décimas do cancioneiro ibero-português, na trilha de meu avô materno que fazia isso. E por estar a voltar esse estilo literário em Portugal - Faculdade de Letras de Coimbra, me achando do ramo, escrevi uns livrinhos com poemas narrativos. Por isso alguns me chamam de poeta, mas eu sei que não sou, à mina filosofia. Desculpe-me, poeta! E receba meu abraço fraterno, escusas e admiração. Cordialmente. Laerte Tavares.

A Casa Madeira disse...

Se fosse só o detefon essa profana e ignóbil
conversão que nos assola; nossa! já dava pra se
animar.
Hoje mesmo vi no jornal que o mosquito já sofreu mutações...
E assim está; não sabemos o que nos espera.
E o pior que está assim em todos os setores a quem nos
dizem respeito.
Abraços e boa continuação de semana.

Elyane Lacerdda disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
amigo poeta, vc me mata de rir kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Bjos e continue ....
http://www.elianedelacerda.com

Lia Noronha disse...

Pura inspiração com bom humor...mistura bem harmoniosa!!!
abraços meus.