domingo, 2 de abril de 2017

NADA


NADA

Não venhas me dizer que eu não te disse,
pois nunca digo nada sem dizer,
e muito tenho dito sem querer,
ainda que da fala prescindisse.

A fala tem seu viço, e, se eu a visse,
vibrantemente a iria descrever,
mas creio que o já faça ao escrever
com ledo esmero tanta cretinice.

Depois de expor o supra acima exposto,
redundo este pleonasmo gracioso,
antítese antagônica do oposto.

A fim de finalmente, num raivoso
final de apoteótico bom gosto,
dizer-te que, no dito, estou ditoso.


Marcos Satoru Kawanami