quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ESPARSAMENTE


ESPARSAMENTE

Na treva ensolarada em que partiste,
portavas radiante formosura
e um cinismo mais puro que a mais pura
persona das personas que vestiste.

A rima dos meus versos ficou triste,
e a morte me assoprava com ternura
na direção de entrar na sepultura,
sorrindo como tu jamais sorriste.

Porém, não sei por que, fui eu ficando
mais jovem, jovial, e até contente,
conforme os anos foram se passando.

Agora, apenas sofro esparsamente,
e apenas ao te ver de vez em quando,
já velha, sem o ser, sem nenhum dente.


Marcos Satoru Kawanami


3 comentários :

Meri Pellens disse...

Oi, Marcos. Até um soneto triste fica alegre em tuas mãos. Tens muito talento!
Bjk...

Elyane Lacerdda disse...

amigo poeta,
vc realmente faz a tristeza virar alegria e ironia!!!!!
BRAVO!!!!
Vc é muito bom em sonetos!
http://www.elianedelacerda.com

Fábio Murilo disse...

Muito bom! Um dos melhores poemas/sonetos que eu já li por aqui. Abraços!