sábado, 7 de janeiro de 2017

PRISÃO DE VENTO


PRISÃO DE VENTO

Em meio ao meu barulho interior,
lá fora nada, nada, nada, nada,
e escuridão, que até alma penada
omite-se, o vazio lhe dá pavor.

Não tarda a morte, chego eu a supor
em ânsia derradeira; a madrugada
ergue sanguíneos dedos de alvorada
alcançando o meu último estupor.

Porém, golfando, espirro uma aspirina
nos olhos do doutor já sonolento,
que acorda dando viva à Medicina.

Por pouco vou-me à cova, e não aguento
lembrar que até um padre de batina
via eu morrer só de prisão de vento!



Marcos Satoru Kawanami

Um comentário :

Elyane Lacerdda disse...

Amigo poeta,
muito inteligente e irônico seu poema!
Como sempre vc é demais!!!!!
http://www.elianedelacerda.com