domingo, 15 de janeiro de 2017

BOQUEJAR


BOQUEJAR

— Eu acho que é mentira que é verdade,
ou, pior, que é verdade que é mentira
a prosa da comadre Arminda Elvira,
que é só quem te defende na cidade! —

Mulher, quando boqueja, põe vontade,
e eu sempre da patroa estou na mira
ouvindo tudo quanto ela delira
no doce lar da nossa intimidade.

Mas me ofende de modo tão mimoso,
que eu acho que é com gosto que ela o faz,
expressão de um amor mais caloroso:

Exaltada epopeia de Luís Vaz,
esbraveja em estilo grandioso,
enquanto um tácito soneto jaz.



Marcos Satoru Kawanami