quinta-feira, 21 de julho de 2016

ALGUM SONETO


ALGUM SONETO

Até sisuda aurora revogando
razões da sem razão que abunda bela,
absteve-se não ele nem aquela
por quem estavam todos esperando.

Ao passo que relembra a noite quando
beijou das bocas dela a que é banguela
vertendo das ideias na tigela
um verso que não este, mas quejando.

Assim os dois estavam proseando
conforme o bom costume tagarela,
enquanto a dita aurora foi chegando.

E agora algum soneto nos revela,
com tintas carregadas estampando,
a noite sem bocejo e sem remela.


Marcos Satoru Kawanami