quinta-feira, 30 de junho de 2016

O GAMBÁ E A CONDIÇÃO HUMANA


O GAMBÁ E A CONDIÇÃO HUMANA

Sarnento e definhando em mortuária
postura sorumbática cadente
aparece um gambá noturnamente
lá no pomar da dona Januária.

Em termos de gambá, tem faixa etária
de alguém que já viveu eternamente,
assombração albina e recorrente,
que é mais assombração por ser precária.

Não acho o que me diz o tal gambá,
talvez alguma coisa visceral,
alguma coisa ruim mas sem ser má.

Porém o bicho é feio, e, na real,
convocando a razão mais para cá,
cagaço não define a coisa mal...


Marcos Satoru Kawanami



O GAMBÁ

Meu falecido pai não deixava
passar um só gambá batido.
À panela, o pobre bicho, levava,
cozia e comia num zás o fedido.

Ainda vinha e me oferecia,
mas nem matando eu comeria.
Dizia-me ter gosto de galinha
mesmo fedendo toda a cozinha.

Eu falava: "Não quero nem saber,
isso não como, prefiro morrer."
Ele dava de ombro e só ria.

Sobrava mais para ele comer.
Então, beleza, era só alegria.
Menos pro gambá que tudo fedia.

Rosemeri Carla Pellens


2 comentários :

Meri Pellens disse...

Meu falecido pai não deixava
passar um só gambá batido.
À panela o pobre bicho levava,
cozia e comia num zás o fedido.

Ainda vinha e me oferecia,
mas nem matando eu comeria.
Dizia-me ter gosto de galinha
mesmo fedendo toda a cozinha.

Meri Pellens.

Bjk, amigo, e bom fim d semana!

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, querido.
Achei interessante o seu poema.
De fato,não precisa ser ruim mesmo aparentando o ser.
Assim são muitos, escondidos por um fétido cheiro.
Sempre inteligente.
Tudo de bom.
Beijos na alma.