sábado, 28 de maio de 2016

OBITUÁRIO


OBITUÁRIO

Morreu porque já tinha redundado,
em sua redundância faleceu,
e tanto redundou que agora eu
começo a redundar feito o finado.

Vestiu um paletó envernizado,
que foi o marceneiro que coseu;
não queiras um igual para ser teu,
se manténs o bom gosto cultivado.

Aquele que falece em redundância
de certo ainda quer redundar mais,
pois todos têm da morte repugnância.

Mas, fora das moradas eternais,
a vida é sempre pouca, uma fragrância
volátil para todos os mortais.


Marcos Satoru Kawanami


7 comentários :

Patricia disse...

A vida é curta, mas poucos admiti-lo, especialmente aqueles que vivem em "redundância" .. o fim vem mesmo querer mais ...
belos poemas, como de costume meu querido poeta!
Beijinhos, feliz fim de semana!

Elyane Lacerdda disse...

Amigo poeta,
que interessante postarmos sobre o mesmo tema!
Bjos e bom fds!
http://www.elianedelacerda.com
Todos estamos com o pé na cova....desde que nascemos!!!!

Rapha Barreto disse...

Muito bom!
"Aquele que faleceu em redudância, de certo ainda querer redundar mais..."


Bom final de semana
http://mylife-rapha.blogspot.com

Meri Pellens disse...

Ai, Marcos, quando eu crescer quero escrever como você. Sério mesmo.
Bom domingo!
Bjk...

A Casa Madeira disse...

A morte algo que intriga sempre...
Bom começo de junho;
Abraços

Diana Fonseca disse...

A vida é mesmo curta!

Arco-Íris de Frida disse...

O que é redundante: significa falta de variedade ou simplesmente repetição de coisas obvias.

Acho que todos vivemos uma vida redundante... e curta...