sábado, 2 de abril de 2016

QUANDO O SAMBA ACABOU


QUANDO O SAMBA ACABOU

O começo apenas começou,
tem gente indo embora;
quem ficou sobrou,
enquanto o sol nasce lá fora.

Foi o tempo que passou,
estava tão bom, não vi as horas,
quem sorria agora chora,
quem ficou sobrou.

Sobrou copo descartável,
sobrou lixo pelo chão;
a tristeza é inestimável,
quem quebrou meu violão?

Abortou-se a alegria,
foi o fim no começo;
quem conheci outro dia,
hoje já não reconheço.

Enquanto o sol nasce lá fora,
quem ficou sobrou;
se nos sorri esta aurora,
um novo fim começou.

Mas, nesse momento ameno,
a tristeza inestimável
foi gentil ao me encontrar:
deu-me alcoólico veneno
em um copo descartável
que do chão a vi pegar.


Marcos Satoru Kawanami


5 comentários :

Laura Santos disse...

A inestimável tristeza depois da festa, a descartabilidade dos copos e das alegrias fugazes, de projectos de relações; o fim do que se julgou poder ter em si um começo, mas quem não foi embora é porque sobrou como copo descartável.
Num qualquer outro dia, tudo se repetirá.
Um poema muito bom, Marcos.
xx

Patricia disse...

Eu amo seus poemas, com aquele toque tão misteriosa ...
Talvez às vezes na vida a gente sente para baixo como um copo descartável e ainda mais se a guitarra quebrou ... seu poema me chegou ao coração,
Beijinyos, linda semana!!

Jaime Guimarães disse...

Fim de festa e antes se recolhia os cacos... hoje, copos descartáveis. :/

Fábio Murilo disse...

Quem dera que as alegrias se perpetuassem. Mas, nesse ínterim se preparam outro momentos fugazes. Retrato da vida. Abraços, Marcos.

Elyane Lacerdda disse...

A vida é uma festa interior,
vamos saber entender o lado bom de tudo, não é verdade ,amigo?
Bjos
http://www.elianedelacerda.com