sábado, 2 de abril de 2016

QUANDO O SAMBA ACABOU


QUANDO O SAMBA ACABOU

O começo apenas começou,
tem gente indo embora;
quem ficou sobrou,
enquanto o sol nasce lá fora.

Foi o tempo que passou,
estava tão bom, não vi as horas,
quem sorria agora chora,
quem ficou sobrou.

Sobrou copo descartável,
sobrou lixo pelo chão;
a tristeza é inestimável,
quem quebrou meu violão?

Abortou-se a alegria,
foi o fim no começo;
quem conheci outro dia,
hoje já não reconheço.

Enquanto o sol nasce lá fora,
quem ficou sobrou;
se nos sorri esta aurora,
um novo fim começou.

Mas, nesse momento ameno,
a tristeza inestimável
foi gentil ao me encontrar:
deu-me alcoólico veneno
em um copo descartável
que do chão a vi pegar.


Marcos Satoru Kawanami