terça-feira, 1 de março de 2016

TEMPORAL


TEMPORAL

No tempo quando tempo não havia,
de sobra havia tempo para tudo
no nada inexistente e sempre mudo
em que a divina ideia se expandia.

Silêncio para ideias tem valia,
e um mundo floresceu forte e rombudo
até que o tosco mal de um abelhudo
montou aqui o palco da anarquia.

O tempo rareou, ficou escasso;
o tempo se apressou, ficou ligeiro;
o tempo é variável de equação.

O tempo agora é coisa, é calhamaço
em cifras de papel, tempo é dinheiro,
mas dinheiro, igualmente, é convenção.


Nhandeara, 1 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami


5 comentários :

Laura Santos disse...

O tempo do silêncio sem tempo, o tempo da ideia divina que tudo abarca.
O mundo concede pouco tempo à ideia, e o resultado é um temporal danado, numa escravatura de números, de dinheiro, e da luta para tê-lo.
Uma escrita ela mesma, quase em forma de equação, com um resultado deprimente. :-)
Gostei do soneto, e da bem imagem, bem ilustrativa.
xx

Fábio Murilo disse...

O tempo é uma uma joia rara, é divisivo. Não tá nem ai pra gente, segue, inexoravelmente, indiferente, a gente que corra atrás. Belíssima construção, Marcos. Abraços.

Cristina Sousa disse...

Olá Marcos,

O tempo... por vezes rápido... outras lento!
Amei
Um beijo e bom fim de semana

Meri Pellens disse...

Oi, Marcos! Saudades de você, amigo!
Resolvi tirar tempo para a poesia novamente. Uma nova poesia nesse meu novo tempo. É um blog novo, mixado, com variedades além de poesia.
Estou evitando o Facebook que come muito nosso tempo.
Adorei seu poema, me inspirou no comentário rs...
Beijoka! (com k porque sou rebelde)

Elyane Lacerdda disse...

Tempo é sempre o problema do ser humano!
Hoje em dia arrumei tempo para fazer coisas que amo, como escrever...poetar....mas passamos grande parte da vida com muitas obrigações sem tempo para curtir a própria vida,amigo poeta!
bjos
http://www.elianedelacerda.com