segunda-feira, 28 de março de 2016

OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 3

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OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 3

— Por que a coca-cola da garrafa de vidro é mais gostosa do que a da garrafa de plástico e a da que vem na latinha?
— É que tradição faz toda a diferença...

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         Segunda-feira de manhã, o chefe encosta na porta da repartição, contempla os funcionários trabalhando, e diz:
         — Oh sexta-feira que não chega nunca!
         Depois, entra cumprimentando todos um por um:
         — Bum dinha, bum dinha, bum dinha...

.............


DESBUNDE

Descarga biliar alheia ao nexo
exaure minha tripa cerebral,
e o oco craniano é que é o real
sonhar de um neo-símio assaz perplexo.

De tanto o que me aparta é o genuflexo
entregue ao devaneio surreal
retido no capacitor mental,
gerando o espectro de um prisma convexo.

Orgânica matéria se confunde,
por meio de entre-laços eletrônicos,
ao sonho surreal que a bem fecunde.

E o símio, em seus versos nada harmônicos,
havendo terminado, que desbunde,
fazendo embriaguez com Biotônico!

Marcos Satoru Kawanami


sábado, 26 de março de 2016

OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 2

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OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 2

ministério da casa civil:
— E o Lula, assumiu?
— Ué, eu nem sabia que ele era...
— Se ele assumir, vai tá passando recibo.

.............

— Professor, o livro ainda está no Xerox?
— Não. Vocês já tinham de tê-lo xerocado.
— Então, galera, quem não xerecou não xereca mais!

.............

— Quer comer um cu?
— Não gosto de cu.
— Não gosta? Então me dá o seu.
— Porra, do meu eu... gosto(?)

.............

cantada de domínio púbico:
— Moça, teu pai é mecânico?
— Não, por quê?
— Porque você é uma graxinha.

.............

         Na sala de aula estava o maior barulho. O professor, revoltado, escreveu na lousa com letras garrafais: VAGINA.
         Silêncio imediato...
         — Que é isso, professor?
         — Tema da redação que vocês vão escrever agora! E eu quero no mínimo 125 linhas só falando de vagina!
         Lurdinha, a única menina da turma, encostou a testa na mesa de tanta vergonha. O professor viu, e avisou:
         — E, você, dona Lurdinha, não cole! Não cole!

.............

— Estás ficando barrigudo. Por que não frequentas uma academia?
— Pagar para fazer força? É contra os meus princípios, é uma inversão de valores. E tem mais, depois que o Ronaldo Fenômeno foi campeão paulista com aquela barriga, eu virei atleta de alto rendimento!


Nhandeara, 26 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 24 de março de 2016

ELOGIATIVO E NAMORISTA

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SONETO DA DAMA CAGANDO

Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Porém o ver cagar a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!

Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma carta d'amores de alimpadura
Serviu àquela parte malcheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito d'amor que lisonjeiro
Afetos move, corações incita:

Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita,
Do sombrio palácio do alcatreiro!

Manuel Maria Barbosa du Bocage



SONETO ESCATOLÓGICO

"Cagando estava a dama mais formosa...",
assim falou Bocage num soneto
do mesmo naipe deste que cometo
sobre a reputação que a merda goza.

A crítica a compara à rara rosa
se obrada na miséria dalgum gueto.
Políticos proferem-na: "Eu prometo..."
e a mídia a tematiza em verso e prosa.

É tanto incompetente apadrinhado
fazendo merda e sendo promovido
que, quando comecei o aprendizado,

pensei: "Que seja próprio o seu sentido,
porque já me enojei do figurado!",
e então fui rei da merda com que agrido.

Glauco Mattoso



ELOGIATIVO E NAMORISTA

Cagando pela boca, e sem ser vista,
a dama mais formosa faleceu,
e quem a põe formosa não sou eu
senão Bocage, o luso beletrista.

Porque, no tempo do árcade humorista,
valia mesmo a lira de um Orfeu
a dama que limpou o cu com seu
escrito elogiativo e namorista.

Mas, tendo a visto velha, não perdera
poeta algum seu tempo em tal frescura
— cagando pela boca ela morrera.

Por reles cupidez, a formosura
recebe graças mil, demãos de cera,
porém só lhe é sincera a sepultura.

Marcos Satoru Kawanami


sexta-feira, 18 de março de 2016

FILME DE CURTA METRAGEM


filme de curta metragem

“o mundo ensina ao homem com mais facilidade aquilo que ele não quer aprender.”
(noel rosa)

na manhã rosa bebê
em que ana maria magalhães me comeu,
deram com o tacape na minha cuca,
uma nuvem atômica pocou sobre o monte sião,
era o Cristo que voltava.

vesti terno xadrez,
e me casei com maria gladys na igrejinha da glória,
ela tinha 14 anos, e eu 15.
entramos para o convento de santo antônio,
fizemos voto de celibato,
e tivemos muitos filhos,
tivemos um time de futebol completo
com os reservas e os gandulas, árbitro e bandeirinhas.

e nossa descendência povoou a terra...
uma descendenciazinha tarada, mestiça e precária,
a humanidade feliz.

ana maria magalhães ficou com meu retrato,
me canibalizando com os olhos por toda a eternidade,
filmou filmes de curta metragem infinitos,
e fez o filme de curta metragem desta história sem fim
lucrativo.
o roteiro é este.


nhandeara, 18 de março de 2016
marcos satoru kawanami

quinta-feira, 17 de março de 2016

OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 1



OS PRÉ-SOCRÁTICOS - 1

— Será que porra no olho dá câncer?
— Por quê? Te esporraram na cara?
— Não. É que eu tava tocando punheta, gozei, me limpei, mas fui coçar o olho, e vi que tinha sobrado porra no dedo.
— Tu é porco mesmo!
— Daí tô preocupado. Será que porra dá câncer no olho?
— Eita ferro... Se porra não dá câncer nem no olho do cu, você acha que vai dar câncer no olho da cara?!
— É... Acho que não.

............

— Maninha, acho que estou grávida...
— Por quê?
— Eu tava tocando uma siririca muito boa, daí, de repente, acho que ovulei!
— Por que ovulou?
— Intuição. Senti uma enxurrada quente descendo deste lado daqui... E gozei forte, duma vez. Me tremi toda por dentro.
— É, é caso grave. Você tem namorado?
— Não.
— É caso grave mesmo. E agora, quem é o pai?
— Não sei.
— Tá vendo, é isso que dá. Vocês ficam por aí se siriricando adoidado, depois nasce um monte de criança sem pai!


Nhandeara, 17 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami


quarta-feira, 16 de março de 2016

MARIA GLADYS

https://www.youtube.com/watch?v=dxjtWD8mI4U
Maria Gladys - filme: Cuidado Madame - diretor: Julio Bressane
músicas de Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo
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MARIA GLADYS

O tempo nos dispõe aqui e ali,
distância além do espaço mais distante,
prisão aberta, o mais intolerante
carcereiro, que aparta-me de ti.

Estou, alheio ao tempo, em Cachambi;
na encolha, disfarcei-me de estudante,
a fim de ver passar entre os passantes
a tua mocidade que não vi.

Não devo dizer nada, estou calado,
e choro ao teu sorriso matinal,
porque morar não posso no passado.

Regresso da viagem temporal,
e escrevo ainda um tanto atordoado
à musa do cinema marginal.


Nhandeara, 16 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami


domingo, 13 de março de 2016

Nelson Rodrigues - Depoimento de Thelma Reston - Cinema Nacional - soneto: SIRIRICA


SIRIRICA

A siririca é fato recorrente
nas telas do cinema brasileiro,
eu digo com anel de punheteiro
e bacharel em artes de indigente.

Nanda Costa a tocou teatralmente,
e assim pecou um pouco no exagero;
Thelma Reston tocou com verdadeiro
respaldo de quem faz frequentemente.

Ana Maria Magalhães não goza
uma vez que a interrompe a campainha
no seu Real Desejo desairosa.

Mas foi Letícia Colin bonitinha,
ainda que ordinária, a mais mimosa
siririca que vi na vida minha.


Nhandeara, 13 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami



Índice Catalográfico das Siriricas Cinematográficas Nacionais:
(a ser completado por quem interessar possa)

Ana Maria Magalhães: siririca em Real Desejo - 1990
Letícia Colin: siririca em Bonitinha, Mas Ordinária. - 2008
Nanda Costa: siririca em Febre do Rato - 2012
Thelma Reston: siririca em Os Sete Gatinhos - 1980

sábado, 5 de março de 2016

AOS MÁRTIRES

fuzilamento do padre Pro

AOS MÁRTIRES

Com mártires começa a Cristandade
nos tempos da romana decadência,
a fé, que é mais coragem que prudência,
prudente em ter coragem, não se evade.

Parece que a atual realidade
também se apura em crise de existência,
sofrendo de seus órgãos a falência,
roída pelo câncer da maldade.

Teremos muitos mártires cristãos
até que sobrevenha o fim da História
num mundo que se empenha em ser pagão.

E é sempre no martírio mais notória
a cruz que alguém abraça, a convicção
de encontrar Jesus Cristo em sua glória.


Nhandeara, 5 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami


terça-feira, 1 de março de 2016

TEMPORAL


TEMPORAL

No tempo quando tempo não havia,
de sobra havia tempo para tudo
no nada inexistente e sempre mudo
em que a divina ideia se expandia.

Silêncio para ideias tem valia,
e um mundo floresceu forte e rombudo
até que o tosco mal de um abelhudo
montou aqui o palco da anarquia.

O tempo rareou, ficou escasso;
o tempo se apressou, ficou ligeiro;
o tempo é variável de equação.

O tempo agora é coisa, é calhamaço
em cifras de papel, tempo é dinheiro,
mas dinheiro, igualmente, é convenção.


Nhandeara, 1 de março de 2016
Marcos Satoru Kawanami