segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

NARCISO

Eco e Narciso

NARCISO

Na selfie, alguém selfish se retrata,
e, a caminho de língua neoinglesa,
eu vejo a exuberante e sã beleza
ser vã naquela foto de primata.

A selfie, em que Narciso se desata,
revela deste tempo a natureza
humana, que evolui para a torpeza,
e a Charles Darwin muito desacata.

Beleza é pertinente, e nos ajuda
no bem-estar, nas artes, no ideal,
e na procriação, pois é tesuda.

Mas não façamos dela festival
pueril da vaidade mais aguda,
desnaturando um bem, vertido em mal.


Nhandeara, 15 de fevereiro de 2016
Marcos Satoru Kawanami