sábado, 7 de novembro de 2015

PAPEL


PAPEL

Papel: palavra para que se guarde
palavra e mais palavra, num fichário,
num livro, num caderno, num armário,
a fim de ser palavra até mais tarde.

Papel, prensada celulose, aguarde,
no lixo reciclável, rumo vário,
pois tem a sua força em ser precário,
nascendo novamente, se não arde.

Quem sou: palavra para que se leia
quem sou agora, só que no futuro,
pois nunca existe agora, agora creia.

Quem sou, creio?, já cri, e ainda juro
que não devo jurar, o juro enleia
quem deve, e, devedor, não quero apuro.


Nhandeara, 7 de novembro de 2015
Marcos Satoru Kawanami


4 comentários :

Magia da Inês disse...


Já foi árvore, agora... uma vez papel, sempre papel!...

Bom fim de semana com tudo de bom!!!
Beijinhos.
✿˚° ·.

Laura Santos disse...

Realmente a palavra renascerá sempre de uma nova forma, de cada vez que é lida, se o papel não arder...Tal como o papel será reciclado também se não arder.
E o futuro é sempre e apenas o agora.
Excelente meu caro! :-)
Bom fim de semana, Marcos!
xx

Fábio Murilo disse...

Muito pertinente e atual teu soneto, ecooooo... logica(mente) correto! Muito bem feito e inteligente, como é próprio do soneto, esmerada construção e acabamento. Gostei, abraços!

Rafaela Figueiredo disse...

lindo poema, Marquitos!
metapalavras q lavras a nós e em nós, como tatuagem, para guardar...

beso