sábado, 28 de novembro de 2015

A INAUDITA DO CONSERVATÓRIO


A INAUDITA DO CONSERVATÓRIO

Nos fundos do conservatório, habita
clarinetista muda e mutuária,
que teima nessa vida proletária,
e teima em prosseguir inda inaudita.

Cantar não deixa nem a periquita,
por quem se cantariam quantas árias
quisesse, se ela fora perdulária
em termos de dar malho para brita.

Mas passa linda e loira, casta... e casta,
sem nunca reparar na silhueta,
usando sempre a mesma roupa gasta.

Também não reparando na etiqueta,
eu acho que ela pode dar um basta
na surdina que impõe à clarineta!


Nhandeara, 28 de novembro de 2015
Marcos Satoru Kawanami