terça-feira, 13 de outubro de 2015

SOFRÊNCIA


SOFRÊNCIA

Eu via, à beira do riacho fundo,
o quanto nada vejo do que sou,
o quanto apenas vejo o que passou,
o quanto é cego meu andar no mundo.

Estranho enlevo de um meditabundo
enleva o estranho ritmo no qual vou
chegando no lugar que não chegou,
estando à beira do riacho fundo.

Porquanto um tal riacho não existe
naquela profundeza que eu sentia
a tarde enluarada em que partiste.

E é tarde enluarada todo dia
que nasce desde quando um mundo triste,
à beira do riacho fundo, eu via.


Nhandeara, 13 de outubro de 2015
Marcos Satoru Kawanami


4 comentários :

Rapha Barreto disse...

Muito bom Marcos! Mas vamos fazer desse mundo triste, feliz! Adorei o poema.

Beijo e boa semana

http://mylife-rapha.blogspot.com

Fábio Murilo disse...

O amor é triste na maioria do tempo, é uma utopia, um suspirar frequente, uma agonia. Abraços, Marcos.

José Carlos Sant Anna disse...

"Estranho enlevo de um meditabundo". O melhor é saber que há tarde enluarada todos os dias para a fantasia de um "eu sozinho"

Grande abraço, Marcos!

Laura Santos disse...

Excelente soneto, Marcos!
A tarde pode ser enluarada, mas os riachos podem ser tão fundos!
Maravilha!
xx