sábado, 17 de outubro de 2015

À Mão


À MÃO

Escrevo à mão, artesanato escrito
com escassa ou nenhuma pretensão
por parte deste anônimo artesão
que escreve à própria mão, como foi dito.

E diz a mão: “Será o Benedito?!”,
pois ela não carece reflexão,
mas piedosamente dá atenção
às musas do cerrado quando as fito.

Escrevo à mão, que é cega, quão bonita
é a ingênua musa do meu casto olhar
caipira bem feliz que o mato habita.

E a mão, que é surda, então, faço escutar
a musa sibilante que nos fita,
estando eu este verso a recitar.


Nhandeara, 17 de outubro de 2015
Marcos Satoru Kawanami