sábado, 29 de agosto de 2015

VÉU


VÉU

Se até os anjos caem, que faremos
a fim de não cairmos em pecado?,
sabendo que está tudo encaminhado
em nossa natureza pra que erremos.

O mal que nos espreita — percebemos —
parece por nós mesmos ser gerado,
e, a cada geração, é renovado
devido ao fruto que nós não comemos.

Mas tal miséria move piedade
no mundo, o qual anseia pelo Céu,
e o drama, assim, possui finalidade.

Porquanto, se o pecado borra o véu
de nossa original humanidade,
lavá-lo que bom é de déu em déu.


Nhandeara, 29 de agosto de 2015
Marcos Satoru Kawanami


sábado, 8 de agosto de 2015

crítica da razão pura


CRÍTICA DA RAZÃO PURA

Verdade, imperativo categórico,
necessidade física e mental,
a lei de uma constante universal,
empírica evidência do teórico.

Um bem em si, um bem assaz eufórico,
apego ao metafísico e real
princípio da filia da moral,
recado contundente do folclórico.

Assim é toda ação escatológica,
pois nada de imediato lhe interessa:
a lógica da lógica da lógica.

Mas, para defecar, eu vou com pressa
— e com categoria mitológica —,
porque sei que cagar é bom à beça.


Nhandeara, 8 de agosto de 2015
Marcos Satoru Kawanami