sexta-feira, 17 de julho de 2015

tão comuns


TÃO COMUNS

Ainda que nós fôssemos nós dois,
ainda que o planeta fosse chato,
ainda que cachorro fosse gato,
ainda que se desse nome aos bois:

Eu gosto de comer feijão e arroz,
farinha de mandioca é no meu prato,
e, pra mais aumentar o nosso hiato,
não deixo nem um pouco a ver depois.

Mas eis que os dois de nós não são mais um,
porém somos mais uns na multidão
dos séculos perdidos, tão comuns...

E, enquanto tu és gata, eu sou um cão
caindo do planeta sem nenhum
receio de marchar na contramão.


Nhandeara, 17 de julho de 2015
Marcos Satoru Kawanami



5 comentários :

Arco-Íris de Frida disse...

Somos tao comuns... e tao especiais... vai se entender...

Edith Lobato disse...

Um petrarquiano perfeito, versos tão musicais que encantam a alma. Parabéns e bom domingo.

Elyane Lacerdda disse...

Amigo,
como sempre vc arrasa em seus poemas!
Mas os opostos se atraem...e como !!!!!!
mas depois temos que pagar pelas escolhas,
e aí o bicho pega,amigo!!!!!
Bjo e lindo domingo!
http://www.elianedelacerda.com

Pérola disse...

Nada de comum, sempre especial.

Linda poesia, gostei em particular.

Beijinhos

BAR DO BARDO disse...

So good. Soneto filosófico.